São Vicente: “É tempo de dar espaço a outras cabeças e visões na UCID” – António Monteiro (c/áudio)

Mindelo, 04 Dez (Inforpress) – O presidente da União cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) disse hoje, no Mindelo, que não se recandidata à liderança do partido, defendendo que “é tempo de dar espaço para que haja outras cabeças e visões”.

António Monteiro fez o anúncio em conferência de imprensa, na sede do partido, durante a qual informou sobre o XVIII.º congresso da UCID, que deverá acontecer de 25 a 27 de Março, na cidade do Mindelo, com a participação de 200 participantes, 90 dos quais de São Vicente, 41 de Santiago, 15 de Santo Antão, 13 do Sal, cinco do Fogo e os restantes das outras ilhas.

“No congresso iremos eleger uma nova direcção da UCID, eleição esta a que não me candidatarei à minha própria sucessão porque considero que já são três mandatos consecutivos à frente da UCID desde 2009 e, portanto, é tempo de dar espaço a outros militantes para que possam desenvolver ou ajudar a desenvolver um melhor trabalho dentro da UCID”, afirmou António Monteiro.

O mesmo negou que o seu afastamento da liderança do partido tenha a ver com o apoio dado a Carlos Veiga nas últimas presidenciais.

António Monteiro considerou que “já deu o seu máximo, sente-se cansado nessas lides”, mas garantiu que continuará a servir Cabo Verde, enquanto deputado ou noutras responsabilidades que o futuro poderá lhe colocar pela frente, dentro do partido, provavelmente como conselheiro, ou regressará a sua profissão como engenheiro antes da reforma.

Além de eleger a nova direcção do partido, segundo a mesma fonte, deverão rever o estatuto adaptando-o à nova realidade que se vive no partido e no País.

Uma das adaptações, explicou, é o pagamento de quotas, em que se exige que o militante participe se tiver com as quotas em dias

“A UCID obriga que os seus militantes, para poderem participar dos congressos, serem eleitos e eleger tenham as quotas em dia. Infelizmente isso não é possível. Os militantes não pagam as quotas e isto é um ‘handicap’ que o estatuto impõe e nós temos estado sempre a passar por cima dessa situação. Vamos encontrar uma solução para que haja outros critérios para que o militante participe nessas actividades”, adiantou.

Instado sobre o que UCID deixa para o próximo líder, o político afirmou que gostaria de ter deixado uma “melhor UCID”, um partido “mais pujante” e que pudesse ter em todas as ilhas a mesma performance que tem em São Vicente.

 “Infelizmente eu não consegui e é culpa minha, tenho que assumir essa responsabilidade, mas deixo um partido forte porque, quando assumi a liderança da UCID a primeira vez que participamos de uma eleição em São Vicente tivemos 400 votos, a segunda vez, em 1996, que a UCID participou numa legislativa tivemos 1.500 votos e São Vicente teve, naquela altura, 800 votos e eu era cabeça- de lista”, enumerou.

Hoje, continuou, o partido tem “cerca de 20 mil votos”, um “reforço e crescimento robusto” do partido que, a cada eleição, “cresce mais de 50 por cento (%) apesar das suas fraquezas financeiras”.

Segundo António Monteiro, o próximo presidente da UCID “terá que ser alguém com grande empatia junto do público, um pouco mais duro e, acima de tudo, que conheça bem a política cabo-verdiana e que consiga, nos bastidores da política, fazer um corredor mais largo para que a UCID tenha maior capacidade de influenciação nas decisões políticas e criar mais amizades”, precisou.

António Monteiro, 60 anos, presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), partido de que é militante desde 1992, foi eleito presidente do partido em 1997, reeleito em 2005 e no XV Congresso realizado em Julho de 2009, na ilha de São Vicente.

É deputado à Assembleia Nacional pelo círculo eleitoral de São Vicente e foi vereador eleito nas listas da UCID nas eleições autárquicas de 2004, 2008 e 2012.

Nas eleições legislativas de 18 de Abril de 2021, a UCID elegeu quatro deputados para a Assembleia Nacional, mais um do que na última legislatura, e novamente todos candidataram-se pelo círculo eleitoral de São Vicente. 

CD/AA

Inforpress/Fim

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