São Vicente: Director do CNAD garante que “Urdi Júnior” veio para ficar

Mindelo, 28 Nov (Inforpress) – O director do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), Irlando Ferreira, assegurou que a feira de artesanato e design (Urdi) vai dar continuidade à nova vertente incluída no evento e direccionada aos mais novos.

Irlando Ferreira falava à Inforpress na manhã de hoje na sequência do painel da apresentação dos resultados das oficinas da “Urdi Júnior”, e que considerou ser “excelente” por tudo que foi demonstrado pelos alunos das quatro escolas participantes do projecto.

“Tudo o que se viu foi extraordinário, porque nos dá pistas concretas de quais são os caminhos, que devemos tomar no trabalho entre a educação, a arte e a cultura”, defendeu o responsável, para quem é “fundamental” que as instituições do Estado que tutelam o sector, tenham essa consciência e a revelam nos planos curriculares e nas missões das instituições culturais.

“Que seja também efectiva para que possamos ter um futuro de Cabo Verde cada vez mais preparado. Uma pessoa que se forma pela arte, além de um futuro artista e criativo, é sobretudo um ser humano melhor”, reiterou, adiantando serem estes “valores imensuráveis” para a construção de uma sociedade.

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, na mesma linha, acreditou ser “obrigatório” incluir todos os anos a “Urdi Júnior” na feira de artesanato e design, pelo engajamento sentido pelos professores e pelos alunos.

Algo que, defendeu, dá razão ao discurso que ele mesmo tem feito nos últimos anos e com “alguma incompreensão” até do sistema educativo.

“Não é tão difícil incluir a cultura, não só a história, mas a prática da cultura cabo-verdiana no sistema de ensino, os professores e os alunos têm vontade”, sentenciou a mesma fonte, defendendo que os museus nacionais e o próprio CNAD estão preparados para serem levados em conta como instituições de ensino da cultura cabo-verdiana.

Abraão Vicente disse ter visto um “autêntico show” por parte dos alunos e da “boa-vontade” dos professores e agora precisa-se fazer sinergia, tendo em conta que a “sociedade do futuro é de cooperação institucional”.

Uma mostra dada, ajuntou, através deste evento dentro da Urdi, no Mindelo e que custou “menos de quatro mil contos”, abarcando ateliês, oficinas e exposição dos trabalhos no Centro Cultural do Mindelo.

O painel “Urdi Júnior – Apresentação das oficinas de investigação no âmbito do artesanato”, foi assim apresentado pela Vânia Pachito, que coordenou a equipa do CNAD, e pela Maria Estrela, a conhecida Mami Estrela, que coordenou os alunos do 2º ano do curso de Ciências de Educação da Universidade de Cabo Verde, os principais promotores da iniciativa.

Esta teve com público-alvo as escolas do ensino básico de Monte Sossego, Ribeira Bote e Ribeira de Calhau e ainda a Escola Industrial e Comercial do Mindelo (Escola Técnica).

Durante o evento, os alunos puderem mostrar o que aprenderam durante as oficinas e com um “verdadeiro entusiasmo” o conhecimento adquirido nas vertentes de artesanato como de construção de instrumentos musicais, tecelagem (pano d’obra e também conhecido pelo pano de terra), cerâmica e artesanato gastronómico para confecção de queijos e doce de papaia, promovidos por Luís Baptista, Marcelino Santos, Manu Soares e operárias de queijos Utaga, respectivamente.

Uma apresentação que deixou os presentes emocionados, e onde até teve lugar a repto lançado por um aluno do 12º ano da Escola Técnica, que revelou a sua “indignação” de não ver se aproveitar mestres como Marcelino Santos que é o “único” a dominar a técnica a masterização da tecelagem para o pano d’obra.

Uma preservação pedida e que o ministro Abraão Vicente garantiu estar a ser feito com o acervo criado, com a troca de experiências entre artesãos nacionais e internacionais, com o processo de certificação do artesanato e também com o novo CNAD, direccionado para educação e investigação.

LN/DR

Inforpress/Fim

 

 

 

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