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São Vicente: Desvalorização de quadros e de produção científica nacional marcam debate sobre protecção dos oceanos (c/áudio)

Mindelo, 08 Jun (Inforpress) – A desvalorização de quadros e de produção científica nacional foram os temas mais falados hoje pelos técnicos que participaram na palestra sobre o Dia Mundial dos Oceanos, promovida pelo Instituto do Mar (IMAR), em São Vicente.

Tratou-se de uma palestra tripartida intitulada “A problemática da protecção dos oceanos”, na qual participaram o oceanógrafo Aníbal Medina, o biólogo e coordenador de projecto de conservação de lesmas brancos, tubarões e raias da Biosfera 1, Stiven Pires, e o doutorado em biodiversidade, genética e evolução, Evandro Lopes.

Segundo o oceanógrafo Aníbal Medina, Cabo Verde “não tem sido eficiente” na preservação dos oceanos, porque tem mobilizado as instituições e os recursos que existem para produzir algum conhecimento, mas esse conhecimento “não é utilizado” na conservação e “não resulta” em desenvolvimento.

No seu entender, o cenário mudaria se houvesse uma consciência cada vez maior, sobretudo por parte da dimensão política do desequilíbrio entre a necessidade do conhecimento, o conhecimento produzido e a sua utilização para o desenvolvimento.

“Há um desequilíbrio enorme e para mim nós não temos esta consciência. Enquanto nós não tivermos o risco é utilizar recursos de forma desproporcionada sem que com eles possamos obter qualquer resultado”, declarou o oceanógrafo, para quem a classe política tem que acompanhar a produção do conhecimento.

Conforme Aníbal Medina, em Cabo Verde conhece-se muito pouco, mas esse pouco poderia ter sido utilizado para ter noções de uma situação muito mais sustentável em conservação dos oceanos, o que, “infelizmente, não é”.

O mesmo defendeu que os quadros estão a ser “subvalorizados”, porque “falta uma política claramente de formação”. 

Isto porque, explicou, um quadro especializa-se ao longo dos tempos, adquire e consolida o conhecimento e vai implementando esse conhecimento. Mas as instituições nem sempre acompanham, porque há muitos quadros formados que estão fora dessas mesmas instituições. 

Por sua vez, o biólogo da Associação Ambientalista Biosfera 1, Stiven Pires, considerou que o apoio das instituições políticas sobre a preservação deveria ser muito mais forte.

“Estão a fazer um trabalho ajudando no que podem, mas posso dizer que também poderiam ter feito muito mais, ter mais engajamento em prol da conservação de algumas espécies e da área protegida, da reserva marinha de Santa Luzia, incluindo os ilhéus Rasos e Branco”, concretizou.

O doutorado em biodiversidade Evandro Lopes, por seu lado, defendeu que, apesar de se ter “muita produção de trabalhos de muito boa qualidade”, o País “não tem se apropriado desse conhecimento”, que “não é utilizado na tomada de decisões”.

“Não há um incentivo à ciência, ao desenvolvimento e à produção do conhecimento no sobre a biodiversidade e a conservação das espécies. E quando se faz alguma coisa ela não é reconhecida. Isso muitas vezes tem trazido dissabores à classe cientifica”, criticou o académico, para quem não há concursos para financiamento da produção da ciência, e “muitos têm-se refugiado em universidades a fazer docência e tiram um tempinho para fazer investigação”.

E, clarificou, um investigador ao ser docente “limita-se muitas vezes” porque tem pouco tempo para fazer ciência.

CD/AA

Inforpress/Fim

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