São Vicente: delegada do ME desafia líder do Sindep a apresentar dados concretos de intimidação aos professores (c/áudio)

Mindelo, 01 dez (Inforpress) – A delegada do Ministério da Educação em São Vicente, Maria Helena Andrade, desafiou hoje o líder do Sindicato Nacional dos Professores (Sindep), Nicolau Furtado, a expor dados reais sobre casos de intimidação a professores denunciados.

Em entrevista à Inforpress, Maria Helena Andrade afirmou que se a delegação do Ministério da Educação em São Vicente está a perseguir os professores, então o Sindep, que é responsável pela defesa dos direitos dos professores, “não está a fazer o seu trabalho como deve ser.”

“Se sou defensora de uma classe e tenho dados concretos de que há professores que estão a ser perseguidos, eu vou lutar para a defesa da minha classe,” reagiu a delegada.

Maria Helena Andrade afirmou que antes de ser delegada é professora. Porém, acrescentou, é uma pessoa que “trabalha com profissionalismo e rigor” e é “exigente” consigo própria e com as outras pessoas, mas, ajuntou, é uma exigência “saudável, responsável e que está de acordo com os deveres profissionais do professor.”

A mesma fonte negou que as transferências são perseguições a professores e questionou se as crianças do Salamansa, Calhau, Ribeira de Calhau, Madeiral, Ribeira de Julião, Ribeira de Vinha, Lazareto, São Pedro, Norte de Baía Baía não têm direito a uma educação de qualidade tal com as da cidade do Mindelo.

“Nessas localidades, tirando Norte de Baía e Baía, temos escolas. Então, logicamente que teremos que ter professores nessas escolas para os alunos, que também precisam ter aulas. Não se pode negar a eles o direito à educação,” defendeu a delegada, para quem este ano “nenhum professor” pediu transferência de Salamansa para a cidade, o que significa que “estão satisfeitos.”

O que acontece, adiantou, é que há professores de Inglês e Francês que dão aulas na escola Arnaldo Medina, na Bela Vista, e que vão dar aulas na escola de Salamansa porque faz parte do mesmo agrupamento.

No agrupamento nº 4, de que pertencem as escolas Humberto Duarte Fonseca e Semião Lopes, acrescentou, os professores do Francês e do Inglês também vão dar aulas em São Pedro.

“Entre trazer todos os meninos do 5º e do 6ºanos para ter aulas na cidade e enviar um professor para ministrar as aulas, qual é que seria mais económica e mais viável”, questionou Maria Helena Andrade, que garantiu que “nenhum professor se recusou” a ir dar aulas nessas localidades porque “estão conscientes das suas responsabilidades.”

Segundo a delegada do MED em São Vicente, por causa dos agrupamentos, há também escolas, caso do Mestre Baptista, com alunos apenas do 1º ao 4º anos. Os professores que leccionavam 5º e 6º ano foram transferidos para a Escola de Monte Sossego, o que , explicou, “é um procedimento normal que vai na linha da racionalização dos custos.”

Sobre as críticas do Sindep, de que há professores a leccionar vários níveis, a delegada desmentiu, clarificando que há professores que leccionam no 5º e 6 º anos, mas a mesma disciplina.

Referiu ainda que há docentes de História e Geografia de Cabo Verde (HGCV) na Escola Salesiana que trabalham com 24 tempos, mas este trabalho foi aceite por eles e recebem horas extras.

Instada a fazer o balanço do primeiro trimestre do presente ano lectivo, a delegada do Ministério da Educação em São Vicente afirmou que há resultados “extremamente positivos em todos os níveis”, apesar das disciplinas de Língua Portuguesa de Matemática continuarem a “requerer mais atenção.”

Destacou também que no 7º ano houve “resultados positivos”, contrariamente ao mesmo período do ano anterior em que “já havia muitos alunos do 7º e 8º ano a irem para casa por reprovação e por desistência.”

CD/JMV

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos