Contadeira de histórias diz que tradição oral deveria constar dos manuais do 1º ano do ensino básico

Mindelo,10 Nov (Inforpress) – A contadeira de história santantonense Paula Chantre disse hoje à Inforpress, no Mindelo, que a cultura e a tradição oral cabo-verdiana deveriam constar dos manuais e ser ensinadas aos alunos desde o 1º ano do Ensino Básico Obrigatório.

Paula Chante, que é professora aposentada, fez estas considerações após participar no ciclo de contadores de histórias do Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact), que decorre no Mindelo, durante o qual partilhou histórias que aprendeu com a mãe e com a avó a alunos da Escola da Ribeira Bote, em São Vicente.

“Para mim, a cultura cabo-verdiana deveria aparecer logo desde o início no primeiro ano, com contos tradicionais, porque a nossa cultura é a nossa essência e nossa alma e quando se vive sem cultura vive-se sem alma. Às tantas as crianças crescem desprovidas de sentimentos”, afirmou Paula Chantre para quem o acto de contar histórias traz sensibilidade a equilíbrio emocional e ajuda as pessoas relacionarem-se uns com os outros.

Apesar de estar longe das salas de aula, após 35 anos como professora, Paula Chantre disse que sempre procurou usar o método do conto para ajudar os alunos a assimilar as informações que transmitia em sala de aula. E hoje, com 59 anos procura estar sempre em contacto com as crianças, porque ao contar histórias ela sente-se “renovada”.

“Estou a procurar as melhores formas de contribuir para o resgate da tradição oral. E sendo o conto um item da tradição oral, agora que estou aposentada estou a juntar o útil ao agradável porque conto histórias por prazer”, explicou a mesma fonte.

Segundo Paula Chantre ao contar histórias ele privilegia as que aprendeu com a mãe e com a avó, mas também usa da sua criatividade e das vivências e mitos do povo santantonense para criar outros contos mas, em todas, privilegia a transmissão de valores.

“Sempre em cada história trago a questão da transmissão dos valores porque vejo-as como actos educativos porque era uma forma que os nossos avós tinham para nos educar. Através do contar de histórias os nossos pais e avós nos mostravam que não deveríamos ser gananciosos e que tínhamos de respeitar toda a gente. É esta moral que eu tento transmitir.”

Este ano, além de Paula Chantre, de Cabo Verde, o ciclo de contadores de histórias do Mindelact faz-se com Irina Fonseca e Zenaida Alfama, também ambas de Cabo Verde, Clara Haddad, do Brasil e Jorge Serafim, de Portugal.

CD/CP

Inforpress/Fim

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