São Vicente: Compositores divergem sobre a possibilidade de viverem da música em Cabo Verde

Mindelo, 15 Jan (Inforpress)- O compositor sanvicentino Vlu destacou hoje a viragem na vida dos compositores que futuramente poderão viver da música, mas Vasco Martins sublinhou que o “caminho é árduo”, porque apenas “1.4% dos compositores do mundo vivem da sua música”.

Estas declarações foram feitas à Inforpress no âmbito do Dia Mundial do Compositor que se celebra hoje, 15 de Janeiro.
Segundo o compositor Vlu, a vida dos compositores “já foi pior em Cabo Verde”, mas graças ao “trabalho de grande mérito” da Sociedade Cabo-Verdiana de Música (SCM), os compositores têm recebido os direitos de autor.

Conforme lembrou Vlu, “os compositores em Cabo Verde já recebem direitos quando a sua música toca nos hotéis no Sal e na Boa Vista ou ainda em Portugal e Paris, França, o que antes era difícil, principalmente para alguns que não tinham filiação nesses países”.
Para o artista, isso significa uma “viragem absoluta”, porque futuramente os autores cabo-verdianos podem viver da sua música.

“É um assunto extremamente importante para Cabo Verde e as pessoas não têm noção do que é que é a indústria da música. Nos Estados Unidos da América (EUA), por exemplo, não se brinca com os direitos de autor. Lá os compositores têm mais fama do que os cantores e ganham muito”, exemplificou.

Por sua vez, Vasco Martins defendeu que viver da música “é um caminho árduo”, porque “as estatísticas sérias” apontam que “somente 1.4% dos compositores do mundo vivem realmente da sua música”.

Segundo Vasco Martins, “o reconhecimento de um compositor passa pela sua obra”. Este, sublinhou a mesma fonte, “o ponto fulcral da vida de um artista”, porque “ser compositor em Cabo Verde ou em qualquer país, envolve uma motivação interior, um apelo, uma necessidade expressiva, espiritual, orgânica”.

“Se um compositor deseja reconhecimento, sucesso social ou dinheiro, tem que aprender esse caminho. Se deseja a composição do ‘gesto da alma’ tem que aprender esse caminho. Se deseja ser profissional tem que aprender esse caminho”, afirmou.

Já o jovem compositor Marco Rendall disse que em termos de compositores “há muitos talentos em Cabo Verde, mas ainda o mais reconhecido é o artista-interprete”.

“Penso que as pessoas deveriam procurar saber mais quem é o compositor e o que o levou a escrever a música. O compositor merece um pouco mais de reconhecimento. Apesar do prémio para a classe instituído nos Cabo Verde Music Awards, deveria haver mais distinções, tendo em conta o trabalho desses artistas”, adiantou Marco Rendall, para quem, “ao escrever, o compositor sempre coloca o coração nas suas músicas”.

CD/JMV

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos