São Vicente com “aumento exponencial” de casos de diabetes acima da média nacional – médica

Mindelo, 06 Nov (Inforpress) – A presidente da Associação de Diabéticos de São Vicente, Carla Guiomar, assegurou que em São Vicente regista um aumento do número de pessoas com diabetes e com uma média acima da percentagem nacional, de 3,7%.

A responsável falava à imprensa, no Mindelo, na sequência de uma conversa aberta com a participação de diversos profissionais da saúde, organizada pela Delegacia de Saúde de São Vicente e a associação de diabéticos da ilha, para assinalar o Dia Mundial de Luta Contra a Diabetes, que se celebra a 14 de Novembro.  

A médica Carla Guiomar lembrou que o tema escolhido para a comemoração é “Enfermagem e diabetes”, embora tenha consciência que os diabéticos são atendidos por uma equipa multidisciplinar, que tem um “papel importante” na prevenção de doenças, suas implicações e aumentar a qualidade de vida.  

“Por isso, estamos aqui para tentar aumentar essa conscientização da população, da comunidade diabética”, sustentou a médica, para quem o “aumento exponencial” de pessoas com diabetes deve-se principalmente ao estilo de vida não saudáveis e falta de exercício físico.

Segundo a mesma fonte, a diabetes tem neste momento em Cabo Verde uma prevalência de 3,7 por cento (%) entre as doenças de risco não transmissíveis e, no caso de São Vicente, é de 4,4%, uma taxa “muito acima” do estimado a nível nacional.  

“Isso quer dizer que devemos reforçar mesmo as nossas actividades de promoção e de prevenção. Esta prevalência tem predomínio do sexo feminino e tem tendência de aumentar conforme a idade”, explicou, adiantando ainda a prevalência da diabetes tipo II, que aparece, principalmente, a partir dos 45 anos.  

Uma vez que a diabetes é uma doença que se pode prevenir, como disse, Carla Guiomar pediu à população para mudar o estilo de vida e a rotina e, por outro lado, aos diabéticos a conhecer os factores de risco para evitar as complicações tardias.  

Por sua vez, a psicóloga Maria do Carmo, disse que muitas vezes os factores de risco aumentam por a pessoa não aceitar a doença, daí a necessidade do trabalho dos psicólogos para melhorar o controlo e combater a não adesão ao tratamento.  

“Então a condição psicológica e emocional tem um peso muito forte no tratamento dos diabéticos”, sustentou a psicóloga, admitindo que na equipa multi-disciplinar cada um tenta olhar para o paciente de uma forma “holística e integral”, porque só assim se consegue manter a diabetes controlada e trabalhar na prevenção.  

A assistente social Elis Almeida, que trabalha no Centro de Saúde de Ribeirinha, por seu lado, relatou o trabalho feito com as famílias para que estejam perto do seu doente em tratamento.

“Porque, quando o familiar conhece a doença, o que se deve saber e tratar, ele também vai apoiar o paciente. Não é só a estrutura de saúde, há que fazer uma união para trabalhar na promoção da saúde e estar mais adaptados a conviver com a patologia”, precisou. 

Agindo como colectivo, o enfermeiro Roni Rodrigues ressaltou o papel da sua classe no atendimento aos diabéticos, que “não pode fazer o trabalho sozinho”, já que este utente tem “várias dimensões”.

Sendo assim, ajuntou, é o trabalho em conjunto que vai dar todo o apoio necessário ao doente.

O enfermeiro referiu-se à camada jovem, os “mais rebeldes”, mas com quem deve-se insistir para prevenir futuros casos da doença, uma vez que, considerou, uma “população informada consegue fazer uma prevenção melhor”. 

LN/AA

Inforpress/Fim 

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