São Vicente: CNAD atribui cartão profissional a cerca de 600 artesãos para regularizar sector

Mindelo, 02 Jun (Inforpress) – O Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD) iniciou hoje, no Mindelo, o processo para atribuição de cerca de 600 cartões profissionais a artesãos de todo o País e que permitirá regulamentar o sector, até agora informal.

Nesse sentido, a partir de hoje começaram os encontros, que fazem parte de um processo de regulamentação, que levou dois anos a ser efectivado, que foi apresentado na Feira de Artesanato e Design- URDI 2019 e agora está-se na fase de implementação, segundo o director do CNAD, Irlando Ferreira, avançou à Inforpress.

“Os encontros com os artesãos são uma de forma de recolher as informações necessárias, que depois vão ser analisadas por uma equipa competente”, explicou a mesma fonte, anunciando uma próxima fase que será a atribuição da carta e do cartão do artesão, que é “aquilo que tornará o processo do fazer artesanal, um processo profissional”, sustentou.

Irlando Ferreira lembrou que a portaria para se atingir esse objectivo, publicado em Novembro do ano passado, já foi aprovada pelos ministérios da Cultura, das Finanças e da Segurança Social.

São Vicente, onde está a sede do CNAD, é a primeira ilha a receber os encontros, de hoje até dia 18, que pretendem atingir, regionalmente um universo de cerca de 100 artesãos e em todo o País cerca de 600.

Esta primeira fase abarca essencialmente nas ilhas do Norte, devido a situação da pandemia da covid-19 e as restrições dos transportes e depois estende-se às ilhas do Sul, a começar por Santiago.

“Neste momento, estamos a fazer um trabalho proactivo, porque no futuro quem irá dirigir-se ao CNAD e pedir o seu reconhecimento enquanto artesão profissional serão os próprios artesãos”, sublinhou a mesma fonte, admitindo querer atingir o máximo de artesãos possíveis.

A mais-valia deste regulamento será, ajuntou, a profissionalização do sector, já que o cartão terá validade em todas as instituições públicas, entre as quais segurança social, finanças, permitindo assim ultrapassar os problemas da informalidade.

“Já era tempo, do sector de artesanato passar da informalidade à formalidade. Este é um processo histórico em Cabo Verde, porque em relação a outros processos criativos, como música, dança e outros, o artesanato é único que está regulamentado”, regozijou este responsável, para quem foi um  “processo cansativo” que teve de começar do zero e sem quaisquer referências nacionais.

“Fizemos o percurso no deserto, mas outros sectores, que queiram aproveitar da nossa experiência estaremos sempre abertos a partilhar”, garantiu Irlando Ferreira, adiantando que apesar de terem consultado regulamentos de outros países, focaram, essencialmente, na realidade cabo-verdiana.

Depois de São Vicente, segue-se Santo Antão, São Nicolau, Sal e Boa Vista e depois as ilhas de Sotavento, quando houver regularização dos voos inter-ilhas.

O processo de regulamentação, di-lo Irlando Ferreira, deverá ser concretizado ainda este ano, sendo que os artesãos podem ter o seu cartão num período máximo de 90 dias, após a solicitação.

O director do CNAD pediu para os artesãos aproveitarem esse “momento único” na história do artesanato cabo-verdiano e, efectivamente, tornarem-se numa “classe com reconhecimento e com um trabalho organizado”.

Tanto assim é, que para além do cartão, com o regulamento foi possível criar o Sistema Integrado de Gestão do Sector do Artesanato, onde os artesãos são cadastrados e que permite fazer pesquisas de técnicas, de regiões e muitas outras informações que clarificam o estado actual do artesanato no País.

“A mesma plataforma também processa o selo created in Cabo Verde, que vai separar o trigo do joio e saber quem está devidamente reconhecido, através desse regulamento”, concretizou Irlando Ferreira.

LN/CP

Inforpress/Fim

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