São Vicente: Cabo Verde é vítima de lixo que não produz e tem de lutar pela justiça ambiental- Primeira-dama (c/áudio)

Mindelo, 06 Abr (Inforpress)- A primeira-dama, Débora Carvalho, disse hoje no Mindelo que Cabo Verde tem de estar muito ciente das consequências que o modelo de desenvolvimento dos outros países está a trazer ao arquipélago e trabalhar para a justiça ambiental.

Débora Carvalho falava à imprensa, à margem da sua participação no seminário sobre a Protecção Ambiental e Gestão de Resíduos, que aconteceu hoje no Auditório da Faculdade de Educação e Desporto (FAED) da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) no Mindelo.
Segundo a primeira-dama, a zona do Atlântico onde se situa Cabo Verde recebe imenso lixo marinho por causa das correntes e cria várias plataformas de lixo que vêm da indústria pesqueira.

Este lixo, advogou, é também uma ameaça para a nidificação das tartarugas, e todos os anos a organização ambiental Biosfera tem retirado toneladas da zona costeira da ilha de Santa Luzia.

Portanto, afirmou Débora Carvalho, todos, principalmente os jovens, têm de estar muito conscientes dos riscos que isso traz e toda a sociedade cabo-verdiana deve fazer um “djunta-mon” (interajuda) ambiental para proteger o ecossistema do país, que já é frágil desse “lixo importado”.

Para a primeira-dama, os primeiros protectores devem ser os cabo-verdianos, mas há uma panóplia de oportunidades que os países devem aproveitar em defesa da justiça ambiental.

“A nível da justiça ambiental, o País tem de estar muito ciente das consequências que o modelo de desenvolvimento dos outros países está a trazer para Cabo Verde e trabalhar no sentido de obrigá-los a proteger”, recomendou, lembrando das oportunidades que os fundos para a economia azul e para a economia verde trazem para o tratamento dos resíduos sólidos, e que “ainda não estão a ser aproveitados na sua plenitude”.

Para o pró-reitor para a área de Avaliação, Comunicação e Eficiência da Uni-CV, no Mindelo, João Almeida, o seminário Protecção Ambiental e Gestão de Resíduos Sólidos “enquadra-se com perfeição na linha de pensar para agir e de pensar para moldar”.

Segundo a docente da Uni-CV, no Mindelo, Maria Miguel Estrela, o seminário surgiu na sequência de um conjunto de actividades que estão a desenvolver porque “a universidade assumiu como mote uma vida mais saudável e também um ambiente sustentável”.

É neste sentido que, acrescentou, também os alunos da universidade estão a participar no projecto “Eco Youth”, financiado pela União Europeia, através do programa Erasmus +, que também envolve grupos de jovens de Espanha, de Moçambique e da Associação de Educação Ambiental de Portugal.

O projecto, conforme a professora, decorre até Novembro, mas as actividades de terreno serão desenvolvidas até o mês de Julho deste ano. Prevê-se a produção de manuais de boas práticas, campanhas de sensibilização para a protecção ambiental e materiais, desenvolvidos simultaneamente pelos jovens dos quatro países participantes.

Depois, avançou, os jovens da Uni-CV vão-se juntar aos outros participantes na cidade de Nampula, em Moçambique, onde vão aprender a montar toda a campanha para depois desenvolver nos respectivos países.

CD/JMV
Inforpress/Fim

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