Ucrânia: Bispo do Mindelo pede às pessoas que saiam à rua para “dar a cara” em gesto de solidariedade

Mindelo, 03 Mar (Inforpress)- O bispo do Mindelo instou esta quarta-feira as pessoas a saírem às ruas para “dar a cara”, considerando que “quando há manifestações que têm a ver com a justiça ou com o que não está bem as pessoas escondem-se”.

Dom Ildo Fortes fez estas declarações ao discursar para dezenas de pessoas que se reuniram hoje na Pracinha da Igreja, em São Vicente, para protestar contra a guerra na Ucrânia, uma semana após a invasão da Rússia, cumprindo um repto lançado por um grupo de cidadãos.

Conforme o bispo da Diocese do Mindelo, a manifestação de hoje aconteceu exactamente no mesmo dia em que o Papa Francisco instou os fiéis a rezarem a interceder pela Ucrânia, além de acontecer também numa Quarta-Feira de Cinzas, um dia importante para os cristãos.

Para Dom Ildo Fortes, com a guerra “não é apenas a Ucrânia que está a ser ameaçada porque ela trará sofrimento para os dois lados” .

Também lembrou que em “muitos lugares do mundo há muita gente a sofrer, a ser explorada, violentada”, como na África, em que “pessoas fogem por serem perseguidas por causa da sua etnia ou religião” ou “na América Latina em que as pessoas não podem expressar as suas opiniões por causa dos regimes ditatoriais”.

“O simples facto de termos aqui vindo já é um contributo pela paz”, defendeu o bispo da Diocese do Mindelo, salientando que “é preciso semear o bem porque ele dará frutos, mas nem sempre aquele que semeia é quem vai colher”.

O activista Carlos Araújo, um dos organizadores da manifestação, disse que o objectivo do acto era posicionar-se contra a guerra na Ucrânia e qualquer acção capaz de tolher a liberdade do homem.

“Queremos dizer uma coisa muito clara: que a nossa solidariedade vai imediatamente para o povo da Ucrânia e para o povo russo, todos vítimas da ditadura de um ser cuja raiva e o ódio trazem destruição”, afirmou o activista, lembrando que há 20 anos também se concentram na Prainha da Igreja a favor da paz em Timor-Leste.

Por sua vez, Antónia Mosso, também membro da organização, defendeu que há valores que estão em xeque como a democracia, a justiça e a liberdade.

Pelo que “todos têm que ter uma atitude de defesa desses valores” e não se pode “aceitar que um país soberano seja invadido, desta forma, e esmagado com essa desproporção de meios e ficar indiferente”.

CD/JMV
Inforpress/Fim

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