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São Vicente: Biosfera I volta a denunciar actividades ilegais de pesca na ilha deserta de Santa Luzia

 

Mindelo, 15 Set (Inforpress) – A Biosfera I denunciou hoje actividades ilegais de pesca que ocorrem na Reserva Marinha de Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso “destruindo os últimos spots” de espécies icónicas de peixes como melro e badejo.

Em nome da associação ambientalista, o biólogo Tommy Melo chamou atenção, no Mindelo, para a pesca feita na reserva, através da caça submarina com recurso a garrafas de mergulho, para além da presença da nova arte de pesca denominada cross, uma pesca em que se utiliza rede de malha e vários mergulhadores na água.

“Para o futuro da reserva será terrível pois, só para se ter uma ideia, na semana passada, os predadores desembarcaram 460 quilogramas de badejo capturados em duas horas de caça submarina com garrafa”, denunciou a mesma fonte.

Para Tommy Melo, os pescadores e as embarcações cabo-verdianas, “autores desta pesca ilegal”,  estão a “raspar o fundo do tacho”, ou seja, num curto espaço de tempo a situação da reserva poderá tornar-se “irreversível”.

Isto proque, assinalou, quando o mar sofre agressões do tipo ele torna-se irreversível, e, mesmo que a pesca seja suspendida para sempre, durará pelo menos 500 anos para se repor a vida marinha de há 20 anos, explicou.

“A Biosfera I vem fazendo denúncias, não apenas verbais, já que muitas vezes as mesmas são acompanhadas de fotografias e imagens vídeo, nome de embarcações, número do registo de matrícula das embarcações”, denunciou a mesma fonte, que considera que fornece “todos os elementos” para que qualquer autoridade possa “autuar em conformidade”.

Só que, assinalou Tommy Melo, “nada tem sido feito” e quando se pergunta, ajuntou, quem é a autoridade responsável começa-se “um atirar da batata quente” para cima uns dos outros.

“Realmente não sabemos quem é a autoridade cabo-verdiana responsável pela fiscalização dessa área protegida, e que está a faltar com a sua responsabilidade, porque a Biosfera I tem feito denúncias semanalmente e não há actuação”, concretizou, acrescentando que “existem os meios financeiros e materiais” para a fiscalização.

É que, explicou, há pouco mais de um ano, a União Europeia ofereceu a Cabo Verde uma lancha rápida para fazer a fiscalização da Reserva Marinha de Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso.

“Existem também projectos em andamento,  em que a Biosfera é parceira, com linhas de orçamento para a contratação da tripulação dessa embarcação e compra de combustível para mesma poder actuar, e no entanto nada tem sido feito”, acusou.

“Seria uma grande vergonha nacional, porque sei que a embarcação do Príncipe do Mónaco vai na próxima semana permanecer dois dias no Ilhéu Branco e ter ao lado uma embarcação cheia de garrafas espingardas a pescar desta forma”, concluiu Tommy Melo.

A associação Biosfera I foi criada na ilha de São Vicente, em 2006, para “promover” a “tomada de consciência” da população relativamente às problemáticas ambientais e protecção da biodiversidade local.

Tem uma equipa constituída por biólogos e naturalistas, voluntários, sócios e parceiros que partilham um “amor incondicional” pela natureza e um “forte empenho” na conservação da biodiversidade.

AA

Inforpress/Fim

 

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