São Vicente: Biosfera I anuncia “maior projecto já realizado” na Reserva de Santa Luzia

 

Mindelo, 08 Jun (Inforpress) – A ONG Biosfera I anunciou hoje, no Mindelo, o arranque do “maior projecto já realizado” em matéria de gestão sustentável em direcção à Reserva Marinha de Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso, com duração prevista de três anos.

O anúncio foi feito pelo presidente da Biosfera I, Tommy Melo, precisamente no dia em que se celebra o Dia Mundial dos Oceanos, indicando que o projecto é financiado por uma fundação internacional com sede na Suíça, a MAVA, no montante de cerca de 150 mil contos.

O projecto, segundo a mesma fonte, vai beneficiar não só a fauna e a flora da maior reserva marinha do país, bem como as comunidades piscatórias, ao mesmo tempo que criará uma rede de parcerias que poderá ser utilizada em outros projectos em todo o arquipélago.

Conta com a participação de parceiros nacionais e internacionais, entre eles a Direcção Nacional do Ambiente, universidades e comunidades piscatórias, entre outros, e vai assentar em seis eixos de actividade, o primeiro dos quais visa o controlo de espécies invasoras, como gatos e ratos na reserva, responsáveis, ao longo do tempo, pela delapidação da fauna nativa, levando, inclusive, segundo Tommy Melo, à extinção de algumas espécies.

A reintrodução e recuperação de algumas dessas espécies “fragilizadas ou até extintas”, o seguimento e a monitorização científica da fauna e a implementação de actividades de fiscalização da reserva são outros eixos do projecto.

Segundo Tommy Melo, o mesmo visa ainda criar a capacidade local para auxiliar o “desenvolvimento sustentável” da reserva, bem ainda dotá-la de meios humanos e materiais para que no final dos trabalhos as actividades de gestão possam continuar.

“Muitas das actividades a serem desenvolvidas terão um alto carácter técnico/científico, portanto os diversos parceiros, entre eles as universidades, farão o acompanhamento técnico na implementação dessas actividades”, lançou o responsável da Bisofera I, que exemplificou com a Universidade de Cambridge (Reino Unido), presente no projecto, que tem vindo a acompanhar a população da ave Calhandra do Ilhéu Raso há mais de 10 anos.

Por isso, o responsável nomeia que a “primeira acção de grande importância do projecto” será desempenhada pela Direcção Nacional do Ambiente na criação das capacidades para que as acções de fiscalização possam decorrer em Santa Luzia  de forma a se conseguir atingir os índices sustentáveis.

Da parte da Direcção Nacional do Ambiente, a técnica Silvana Roque, presente no encontro, considerou que “todas as condições estão a ser criadas” para se iniciar as missões de fiscalizações marítima e terrestre na reserva, e assim combater as actividades de pesca ilegal, “que ainda acontecem”, e que têm trazido “constrangimentos” não só a nível da biodiversidade como também aos pescadores artesanais.

Em representação das comunidades piscatórias, o presidente da Associação dos Amigos do Calhau, Jorge Melo, por seu lado, explicou que o envolvimento das diversas associações no projecto busca apoiar a gestão participativa porque, sustentou, sem o envolvimento das comunidades piscatórias nada será feito, porque “pode haver anticorpos”.

“O nosso papel é apoiar nesse processo de fazer com que as comunidades, os frequentadores e os pescadores percebam os motivos que levam o Governo a criar essa reserva”, sintetizou o activista ambiental, que trabalha deste o ano de 2003 no projecto que desembocou na criação da Reserva Marinha de Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso, num processo então liderado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas (INDP).

AA/ZS

Inforpress/Fim

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