São Vicente: Biosfera espera implementar “em breve” área marinha protegida do Calhau com gestão comunitária – Tommy Melo 

Mindelo, 23 Nov (Inforpress) – A associação ambiental Biosfera Cabo Verde conta começar a implementar “em breve” a área marinha protegida do Calhau, São Vicente, com gestão comunitária, orçada em cerca de 88 mil contos, informou hoje o presidente da instituição.

Segundo Tommy Melo avançou à Inforpress, a organização não-governamental (ONG) já tem até financiamento para este projecto, que tem por finalidade proteger a zona desde Norte de Baía, orla marítima do Calhau até o Vulcão Viana, em São Vicente.

“Isto porque já fizemos estudos com especialistas e pode-se constatar que a zona tem uma representação de fauna subaquática muito importante, que precisa ser preservada”, sublinhou a mesma fonte, juntando outros argumentos como o facto de ser uma das zonas costeiras “mais rica” para desova de tartarugas, em São Vicente, e ainda para manutenção da população de tubarões, que utiliza o local para acasalamento e reprodução.

Atributos a que se juntam, acrescentou, a geografia “bastante bonita”.

Mas, a ideia proposta pela Biosfera é de fazer a preservação com uma gestão comunitária, um modelo, que, conforme o ambientalista “ainda não existe em Cabo Verde”.

“E os ganhos são muitos, por exemplo, com a fiscalização da área protegida que vai ser feita pela própria população, que, por sua vez, poderá ter uma alternativa de rendimento sustentável”, lançou Tommy Melo, adiantando já terem o financiamento disponível, cerca de 800 mil euros (à volta de 88 mil contos) garantido pela fundação norte-americana Ocean 5.

Um montante que deverá ser investido, ajuntou, na melhoria de vida da população, para adquirir equipamentos e ainda na criação de uma empresa de ecoturismo de raiz gerida pela própria comunidade.

“Normalmente, o grande mal das áreas protegidas é de apresentarem só restrições para a população local, mas, neste caso, pretendemos integrar a comunidade e dar-lhe oportunidade para ganhar a vida de forma sustentável”, explicou a mesma fonte, acrescentando que já tiveram um primeiro encontro com a população de Calhau que acolheu a ideia com “bastante satisfação”.

O próximo passo, asseverou, será de criar o comité de gestão comunitária e ainda terminar os estudos com a avaliação sócio-económica, que será feita na próxima semana por um consultor vindo da cidade da Praia.

Dados que serão acoplados e enviados à Direcção Nacional do Ambiente, que tem a “última palavra” por ser a entidade governamental que autoriza a criação de áreas protegidas.

Entretanto, Tommy Melo disse estar “confiante” para um bom desfecho, uma vez que o projecto foi apresentado nos últimos dias na Cabo Verde Ocean Week, no Mindelo, e foi “bem recebido” pelo ministro da Economia Marítima, que “prometeu dar todas as démarches para a aprovação do projecto”, sublinhou.

Desta forma, conforme o ambientalista, a Biosfera espera contar com a parceria do Governo para a criação da área marinha protegida do Calhau com gestão comunitária, que ainda tem como parceiro o Programa Regional de Conservação da Zona Costeira e Marinha da África Ocidental (PRCM)

LN/CP

Inforpress/Fim

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