São Vicente: Artistas, criativos, produtores e agentes culturais reivindicam direito ao trabalho

Mindelo, 14 Jan (Inforpress)- Artistas, produtores, técnicos de som, produtores e carnavalescos concentram-se hoje na Praça Dom Luís, em São Vicente, numa acção que visou reivindicar o direito à dignidade, ao trabalho seguro e à inclusão da classe.

Esta intervenção, denominada “Marcha dos Agentes Culturais de Cabo Verde”, que aconteceu paralelamente em vários pontos do País, teve como objectivo demonstrar publicamente a situação de “precariedade da indústria criativa, que está paralisada há mais de 10 meses, devido à pandemia da covid-19”, dizem os organizadores.

Em declarações à imprensa, o artista plástico João Brito (Boss) disse que aderiu a esta iniciativa dos fazedores da cultura porque sentiu falta de iniciativa dos governantes em prol da cultura neste momento de pandemia.

Para o artista plástico, “o Governo está a insistir em apoiar os mesmos artistas, mas existem vários que merecem atenção, em vez de apenas um grupo”

“Senti que a política estava longe dos fazedores da cultura. Eu sofri isso na pele e acho que deveríamos ter uma política mais virada para a cultura, e para que as pessoas que fazem parte possam se sentir mais estáveis”, revelou o artista que já trabalhou em várias vertentes da cultura.

A mesma fonte defendeu que “os artistas, o ministério e o Governo têm que andar de mãos juntas”,mas classificou de “desnecessário” o facto de o ministério ter pago 10 mil escudos a artistas para fazer shows online porque, explicou, “os que fizeram as lives, eram pessoas que tinham emprego e salário mensal”.

“Há outras pessoas que vivem somente da cultura, não têm um salário, e este ministério não as conhece, o que é mais triste. Acho que devemos ponderar mais fazer uma pesquisa no terreno para saber quem faz o quê, quais são as suas capacidades e o que faz para o País”, precisou João Brito.

Por sua vez, Samira Pereira, que também trabalha na área, explicou que o sector da cultura é complexo, pelo que na Praça Dom Luís estavam vários porta-vozes da cultura.

Acrescentou que, apesar de serem “pessoas diferentes, da natureza díspares dos seus trabalhos”, têm em comum o desejo de “serem ouvidos e reconhecidos, enquanto profissionais e de ter dignidade enquanto sector verdadeiramente dito”.

“Reivindicamos o direito ao trabalho e o direito à cultura. Para nós, trabalhadores do sector da cultura, é o direito ao trabalho, mas para o público é o direito à fruição de bens e serviços culturais”, sustentou.

Conforme Samira Pereira, “a falta de uma política de protecção da cultura é um processo que não é de hoje, mas referiu que o que se verificou em 2020 é que a pandemia ajudou a mostrar “as fragilidades da cultura e os podres por detrás do belo”

“Os sucessivos governos têm tratado a cultura com um pouco de adorno, uns mais que outros, uns mais aqui e ali. Simplesmente, com o contexto da pandemia, todos os sectores a nível mundial expuseram as suas fragilidades e no sector da cultura, do adorno belo passamos a ver os podres por detrás do belo”.

Na mesma linha, o cantor Toy Cabicinha, que recentemente mudou-se dos Estados Unidos de América para São Vicente, disse que se juntou à iniciativa para “apoiar os colegas de todos os ramos da cultura”. É que, segundo o cantor, a pandemia tem “afectado muito sector da cultura em Cabo Verde”.

CD/JMV
Inforpress/Fim

 

 

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