Arquitecto diz que projecção das cidades cabo-verdianas deve satisfazer a população e não a pequenos grupos privados

Mindelo, 08 Nov (Inforpress) – O arquitecto brasileiro Pedro Tuma, distinguido em vários eventos internacionais, disse, hoje, no Mindelo, que a expansão das cidades cabo-verdianas deve levar em conta questões importantes para a população como um todo, ao invés de grupos privados.

Pedro Tuma falava à Inforpress, à margem da aula magna a “Arquitectura como Ofício”, promovida pela Ordem dos Arquitectos de Cabo Verde (OAC), na sala de conferências da Câmara de Comércio do Barlavento (CCB), no âmbito da realização da 5ª edição do Prémio Nacional de Arquitetura.

“Deu para entender que há um País em construção muito parecido com as cidades brasileiras, como São Paulo e as outras cidades brasileiras que estão sempre a crescer e a se reconstruir. Aqui não é diferente, já ouvimos falar de alguns projectos de expansão da cidade e acho que há uma correlação muito forte e precisamos ter cuidado e justificar o que desejamos através de questões que são muito importantes para a população como um todo e não como um grupo privado”, afirmou.

Tuma, que diz acreditar que há uma identidade entre o fazer arquitetura de São Paulo e o de Cabo Verde, defendeu que é fundamental lançar o olhar para os edifícios e espaços vazios da cidade para saber qual é o projecto que os vai substituir.

“Se temos uma praça pública que vira um hotel estamos a beneficiar um pequeno grupo em detrimento da população que usa essa praça. Da mesma maneira, nós podemos pensar dos edifícios públicos ou privados de grande ou pequena escala porque nós temos uma tendência a admirar o grande que nos chama atenção, mas a verdade é que há um património a partir dessas pequenas casas que estão ali”, referiu.

A título de exemplo, o arquitecto disse que viu algumas casas em Santo Antão que estão em “péssimo estado de conservação” e que “uma hora pode-se perder esse património, que, embora possam ser pequenas casas de esquinas, contam a história das pessoas.

Além de Pedro Tuma também participou da aula magna Danilo Terra, com quem partilha o escritório de arquitectura Terra e Tuma, com projectos reconhecidos nas bienais de Veneza, 2010 e 2016, Roterdão 2012, Quito 2014 e 2020, Iberoamericana 2016 e Chile 2017.

O escritório também venceu o prémio de Archdaily em 2014, após construírem uma habitação num lote exíguo com um orçamento de 3.200 contos cabo-verdianos.

CD/JMV

Inforpress/Fim

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