Ambientalista diz que cenário ideal seria País abster-se de acordos de pesca e apostar na frota nacional

Mindelo, 23 Jun (Inforpress) – O presidente da associação ambiental Biosfera 1, Tommy Melo, considerou que o “cenário ideal” para a sustentabilidade dos recursos marinhos no arquipélago seria Cabo Verde não fazer acordos de pesca internacionais e apostar na frota nacional.

O ambientalista reagia desta forma, à Inforpress, à noticia da aprovação na semana passada, pelo  Parlamento Europeu PE), do acordo de pesca entre Cabo Verde e a União Europeia.

“O cenário ideal seria Cabo Verde não fazer acordos de pesca nenhuns e impulsionar a pesca interna e que os nossos próprios pescadores conseguissem ter acesso a esse peixe”, sublinhou a mesma fonte, para quem não havendo essa possibilidade, o “ideal possível” seria salvaguardar alguns pontos.

O presidente da Biosfera 1 apontou pelo menos três pontos recomendados ao Governo pela própria associação e que ainda não sabe se foram acatados, uma vez que ainda não teve acesso ao acordo já validado.

Primeiramente, ajuntou, o facto de ainda não existir uma ordem expressa para que as embarcações tenham uma forma de mitigação das “capturas acidentais”, por exemplo, das tartarugas marinhas.

“Achamos que isso é muito importante, tendo em conta, que em Cabo Verde inteiro se gasta milhares de contos todos os anos para a conservação da tartaruga marinha, e seria algo desfasado se um acordo de pesca dessa magnitude e que envolve a mortalidade acidental de tantas tartarugas não levasse isso em conta”, defendeu.

Outro facto, segundo Tommy Melo, é o valor real de captura desse protocolo, que aponta para 8.000 toneladas/ano, mas se o montante for ultrapassado, as frotas pagam um acréscimo “exactamente igual” ao já acordado.

“De forma alguma isso fará com que tenham vontade de pescar menos, pelo contrário, vão pescar é cada vez mais”, sublinhou o activista, indicando como terceiro constrangimento a falta de um corpo de fiscalização a bordo dos navios para fazer o “seguimento real” dessa pescaria em Cabo Verde.

“Se essas preocupações não foram tidas em conta, esse acordo de pesca é realmente mais uma pazada de areia nos olhos dos cabo-verdianos”, considerou a mesma fonte, que idealiza a aposta na exploração dos próprios cabo-verdianos para permitir a sustentabilidade ambiental dos recursos.

Tommy Melo disse ter consciência de que a frota pesqueira cabo-verdiana, como está neste momento, não consegue dar resposta, mas, a seu ver, poderia existir um programa governamental para “melhorar” em termos de técnica e de equipamentos  e os permitir “ servir melhor dos recursos do País e não estar a os vender a outrem”.

“Como costumo dizer que nós aqui nacionais compramos um quilograma de atum agora por 700-800 escudos e estamos a vender um quilo de atum aos europeus, tendo em conta acordo de pesca, por 10-20 escudos”, criticou, acrescentando que “muita boa gente” já não consegue comer o atum aqui no País.

O Parlamento Europeu aprovou na última quinta-feira os protocolos aos acordos de pesca entre a União Europeia (UE) e Cabo Verde, a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, com base nas recomendações de três relatores portugueses.

O novo protocolo ao acordo de pesca entre a UE e Cabo Verde concede à frota europeia licenças para 28 atuneiros cercadores congeladores, 27 palangreiros de superfície e 14 atuneiros com canas, a serem distribuídos por Portugal, Espanha e França.

A contrapartida financeira anual ascende a 750 mil euros, verba que se divide num montante anual de 400 mil euros pelo acesso à zona de pesca (com uma tonelagem de referência de 8.000 toneladas por ano) e de 350 mil euros para a aplicação da estratégia nacional de pesca e da economia azul.

LN/AA

Inforpress/Fim

 

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