São Vicente: Alunos da Universidade Lusófona de Cabo Verde denunciam situação de abandono e incerteza no futuro (c/áudio)

Mindelo,  08 Jan (Inforpress) – Os estudantes do quarto ano do curso de Ciências de Comunicação da Universidade Lusófona de Cabo Verde, no Mindelo, chamaram a imprensa hoje para denunciar situações de “abandono e incerteza no futuro” e “descaso” das autoridades.

Conforme Ângela Pinto, que falou em nome dos 11 estudantes da turma, uma das maiores preocupações é a falta de comunicação, entre os estudantes e a direcção, que está sendo feita de “forma desonesta”.

Neste momento, segundo a mesma fonte, estão sem professores e com notas congeladas por falta de pagamento dos salários aos docentes.

“Já sendo estudantes do quarto ano, merecíamos uma dinâmica diferente no nosso curso, arrancámos com quatro cadeiras quando deveríamos ter seis”, explicou a estudante, confirmando que uma professora se ausentou logo no início e outras das cadeiras, de cariz prática, a direcção “tentou empurrar de forma estúpida, para ser feita online, quando a escola não tem as mínimas condições para isso”.

“A escola não tem internet, não tem computadores e nem projector, então tivemos que recusar essa aula porque não havia condições”, explicou Ângela Pinto, acrescentando que ficaram com duas cadeiras leccionadas por um único professor, mas que suspendeu logo depois devido “à falta de compromisso da escola”.

Neste momento, ajuntou, sentem-se “abandonados” porque foram comunicados da situação apenas pelo professor, que é uma “pessoa de consciência”, mas a direcção da universidade até agora não lhes disse nada.

Esta mesma “direcção de fachada”, que segundo a mesma fonte, tem à frente a administradora Lenilda Duarte que, ainda assim, nem sempre os atende.

“Estamos sem esclarecimento, sem informação de como poderemos fazer estágio, estamos a boiar e sem saber o que poderemos fazer daqui para a frente e no último ano de curso não podemos estar assim”, considerou, adiantando que apesar das notas congeladas os alunos da turma têm cumprido com o pagamento da propina todos os meses.

Por isso, assegurou, não podem pagar pelos erros da universidade, que está com uma “desorganização total” e nem ser “penalizados e temendo pelo futuro”, já que todos têm um objectivo.

“Eu sou empregada, mas temo pelos meus colegas, que vão sair para um mercado de trabalho sem bagagem”, considerou Ângela Pinto, que disse que devido ao congelamento das notas, a universidade tem vindo a fornecer uma “declaração totalmente falsa, com notas administrativas”.

A porta-voz dos alunos disse que nesta declaração estão a classificar todos os alunos com 16 valores, quando “uns nem a merecem” e outros podem ser prejudicados, já que precisam das notas para apresentar nas instituições de que são bolseiros.

Esperam assim que as autoridades solucionem este problema, até através da Agência Reguladora do Ensino Superior, a qual acusam de um “certo descaso”, já que há alguns meses estiveram na universidade e puderam constatar a “situação precária” até na higienização.

“Estão a fazer descaso sim, porque a universidade se calhar não deveria andar, deviam passar-nos para outra universidade”, reiterou.

A imprensa que estivera no local tentou contactar a administradora Lenilda Duarte, que prometeu reagir mais tarde.

LN/HF

Inforpress/Fim

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