São Nicolau: Jovens conciliam sonhos às necessidades da ilha “driblando” a crise causada pela pandemia

Cidade da Praia, 24 Out (Inforpress) – Jovens empreendedores da ilha de São Nicolau afirmam que os seus “sonhos” vão ao encontro das necessidades daquela ilha, e que têm podido “conciliar” as duas coisas, “driblar” o desemprego, restando, porém, ultrapassar a crise causada pela pandemia.

Em declarações à Inforpress, Letícia da Graça, residente no Tarrafal de São Nicolau, disse que é licenciada em economia e gestão, mas decidiu criar o seu negócio próprio no ramo de pastelaria e confeitaria, porque “ama” esse ramo.

“Sempre amei confeitar e sinto feliz e satisfeita no que faço”, disse, em jeito de desabafo a jovem empreendedora, salientando que antes o fazia só por hobby, mas agora é o seu “ganha pão”, uma vez que na ilha não encontrou trabalho na sua área de formação, mas viu uma luz de oportunidade na pastelaria e confeitaria.

Letícia da Graça diz ser uma jovem empreendedora, explicando que todos querem estudar, ter uma licenciatura, mas não há trabalho para todos os licenciados. Por isso, considera que a solução é empreender, “um modo de levar a vida”, afirmou esta detentora de um licenciamento em economia e gestão, realçando que se sente “orgulhosa” do seu empreendimento.

Porém, fez questão de “jogar limpo” nesta entrevista concedida à Inforpress, começando desde logo por esclarecer que se diplomou em economia e gestão, mas não possui nenhuma formação na área de pastelaria e confeitaria.

“Tudo o que sei fazer é fruto da minha curiosidade e criatividade”, desabafou, faltando-lhe apenas juntar a outra parte natural que esqueceu, o “dom” com que nasceu.

Mas, humilde e honestamente lá vai explicando que no seu trabalho ela consegue exprimir toda a sua “criatividade” fazendo “arte” com o que de doçaria que produz, principalmente com os bolos, pelo que sonha em expandir o seu negócio ainda mais.

Entretanto, dado à situação da pandemia de covid-19 que grassa o País, à laia dos outros negócios, Letícia Graça apercebeu que o seu negócio também se “fragilizou” um pouco nesse lapso de tempo.
Conforme comentou, as encomendas ficaram “escassas”, mas não nem por isso se deve “cruzar os braços” contemplando as dificuldades da ilha ou esperar por uma eventual oportunidade vinda de instituições do Estado ou outras.

Antes pelo contrário, ela decidiu enfrentar, como disse, destemidamente esses momentos adversos e, com a mesma firmeza, aproveita a ocasião para aconselhar todos os jovens a agirem como ela e, caso queiram empreender, que o façam de forma “persistente” nesta caminhada.

Conforme explicou à entrevistada da Inforpress, “na pastelaria e confeitaria, normalmente se ganha mais com as festas, nomeadamente aniversários, batizados e casamentos, actividades que face à situação da pandemia, se reduziram drasticamente e com todas as consequências que daí advêm.

Como se sabe, com esta situação não se pode fazer festas grandes. As pessoas têm feito pequenas encomendas para lanches em família, mas não se compara às demandas para festas, frisou Letícia Graça.

Entretanto, nessa “caça” de jovens empreendedores a Inforpress foi também ao encontro de Jéssica Almeida, coincidentemente a residir também no Tarrafal de São Nicolau onde é proprietária de um salão de estética.
Conforme revelou, “cresceu nesse meio e aprendeu muito com a mãe”.

“Eu trabalhava com a minha mãe no salão de manicure e pedicure dela, e vi que isso tinha saída porque as pessoas sempre perguntavam se fazíamos depilação, massagem, limpeza da pele, e pude depreender que era uma necessidade da ilha, daí fui fazer formação na área e criar meu próprio negócio”, disse.

A Jéssica iniciou o seu negócio recentemente, segundo ela, “num tempo nada favorável”, mas não tem intenção alguma em desistir, disse, fazendo alusão à situação de pandemia.

“Ter um salão de estética é um sonho materializado e quero servir de exemplo aos outros jovens”, disse realçando que ainda quer se especializar mais, e expandir o seu projecto.

Entretanto, Jéssica foi explicando à Inforpress que no seu salão faz um pouco de tudo, maquilhagem, pedicure, manicure, massagem, limpeza da pele, sobrancelha, entre outros, e não resistiu de “enfatizar” que gosta também de moda, pelo que “não para de incentivar as mulheres a se cuidarem”.

A Inforpress também falou com o jovem técnico de bate chapa e pintura auto, que responde pelo nome de Kevin Santana.

Conforme explicou à Inforpress, reside no município de Ribeira Brava e a sua área de formação é “especial, uma autêntica obra de arte”, por isso exerce e seu trabalho “com paixão e amor”.

Kevin Santana confessa que cedo constatou que esta arte era uma área que fazia falta em São Nicolau, pelo que decidiu criar seu próprio negócio e hoje é o dono de um empreendimento que ostenta o seu nome.

“É algo que eu gosto de fazer, e graças à experiência que obtive durante a minha formação, hoje tenho a minha própria empresa, e por outro lado é uma área que fazia muita falta aqui na ilha”, asseverou Kevin Santana.

O jovem revelou ainda que foi incentivado pelo seu primo a criar uma sociedade com duas áreas diferentes, ele na área de bate chapa e pintura auto e o seu primo na área de serralharia.

“Foi possível, mas até agora não está fácil por causa dessa pandemia de Covid-19 que paralisou tudo, principalmente, a nível da económica. E nós, por sermos ainda pouco conhecidos no mercado pesa mais”, disse, realçando, contudo, que estão a manter-se firme no combate à esta crise.

TC/FP/DR
Inforpress/Fim

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