São Filipe: Presidente da cerimónia eucarística alerta para a valorização de “todo o ritual” da bandeira

 

São  Filipe, 01 Mai (Inforpress) – O presidente da cerimónia eucarística em honra ao patrono São Filipe alertou hoje para a necessidade de  valorizar “todo o ritual” da festa da bandeira, como um contributo para o bem social e espiritual da população da ilha.

Durante a sua homilia no adro da Igreja Matriz, repleto de participantes, o padre João Augusto Martins considerou ser de responsabilidade de todos lutar para evitar novo enterro de tributos como a paz, o amor e a fé.

Fez questão de recuar no tempo para enaltecer os “Sete Estrelos”, nome por que ficou conhecido o grupo de jovens que em 1917 desenterrou a bandeira,  para explicar que não fora um acto isolado, porquanto iniciara em 1910, em Portugal, com  uma revolução que terminou com a separação entre Igreja e o Estado, três anos volvidos.

Atesta que nesse 1917, a bandeira foi enterrada na Rússia aquando da Revolução Vermelha dos Bolcheviques, liderados por Vladimir Lenine e que só foi desenterrada em 2009 quando os líderes da altura decidiram acabar com a guerra fria e “abrir-se a Deus e ao mundo”.

Para o reverendo, o grupo “Sete Estrelos” foi estimulado pelo vigário  Miguel António Monteiro, oriundo de Santo Antão, que, formado no seminário de São Nicolau e nomeado pároco de então nessa paróquia, em 1900, deslocou-se aos EUA em busca de peditório em projecto social, com vista a lutar para esta perspectiva social.

Afirmou que o enterro da bandeira teve influência em outras partes do Mundo e que, para além na ilha do Fogo, Cabo Verde conheceu outras consequências com  o encerramento do seminário ilha de São Nicolau e sublinhou que em 1975 a bandeira de São Filipe foi novamente ameaçada e que lhe valeu a salvação de um grupo de quatro.

No ano do centenário do desenterro da bandeira, descreveu São Filipe como aquele que promoveu a coesão em detrimento da divisão, tendo aproveitado a ocasião para lançar uma mensagem virada para  a superação da indiferença religiosa, da degradação moral e das divisões.

Parafraseando o Papa Francisco, reafirmou que “a unidade é maior que a divisão” e pediu aos líderes para promoverem a união em detrimento da divisão, visando a melhoria da coesão.

Durante a sua homilia, João Augusto Martins desafiou a todos a  superar as quezílias e divisão existentes, tanto no município de São Filipe como noutros pontos do país, quer entre capelas, como entre partidos políticos ou câmaras municipais, ou mesmo nas cidades.

Para este reverendo, comemorar o centenário do desenterro da bandeira  simboliza o acolhimento e a abertura que ultrapassam toda a “mesquinhice”, pelo que entende ser necessário apostar no resgatar dos valores tradicionais desta que é referenciada como a maior romaria do país.

SR/AA

Inforpress/Fim

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