São Filipe: Padre Camilo Torassa recebe as chaves da cidade de São Filipe

São Filipe, 29 Abr (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Jorge Nogueira, entregou hoje as chaves da cidade ao Padre Camilo Torassa em reconhecimento da sua contribuição para o desenvolvimento do município e da ilha do Fogo.

Na sua intervenção, durante a homenagem a esta figura que é tido como “cidadão foguense e de São Filipe”, Jorge Nogueira deixou expresso de que se trata de “puro simbolismo” porque Padre Camilo “não precisa de chave para entrar nesta cidade, já que é desta cidade, para não dizer que a cidade é do Padre Camilo”, acrescentando que os ares de São Filipe fazem tão bem à ilustre figura.

Para o edil de São Filipe está-se perante uma “figura impar” da história de São Filipe, cujas “qualidades de humanista e a sua simplicidade”, fizeram imergir uma “obra igualmente ímpar” que “em todos se reflecte” e da qual “todos são tributários”.

“Estamos na presença de um gigante difícil de descrever ou igualar tal a grandiosidade da tarefa realizada cujas consequências ainda hoje são visíveis no tecido social de Filipe”, disse o edil no acto de homenagem a Camilo, na época marcada por “gritantes assimetrias” sociais originadas por uma administração “discriminadora e injusta”, por “elevado índice de pobreza” e em que o direito a uma alimentação condigna, vestuário e instruções “constituíam negações”.

“Padre Camilo, movido pelos nobres ideais do ensinamento de cristão, realizou um conjunto de acções para ultrapassar as dificuldades”, sintetizou.

Depois de enumerar um conjunto de realizações em áreas sociais, educativas e outros, Jorge Nogueira disse que é por essas e outras razões que a edilidade por ele presidida presta um tributo ao padre, em nome dos seus munícipes “por tanto ter feito pelas gentes humildes da ilha, por tanto ter sofrido em sua defesa sem nada pedir em troca, mas também por na sua humildade ter ensinado a ser melhores homens e melhores mulheres”.

Padre Camilo, como é conhecido a nível da ilha, nasceu em Itália a 17 de Outubro de 1929 e entrou para o Capuchinhos aos 18 anos (1947).

A 21 de Fevereiro de 1954 ordenou-se sacerdote e em Dezembro do mesmo ano apresentou aos superiores o pedido para vir trabalhar em Cabo Verde.

Passou mais três anos em Itália como professor no seminário e dois anos em Portugal e a 30 de Janeiro de 1960 desembarcou em São Vicente para depois rumar à ilha do Fogo, tendo passado dois anos em São Lourenço, antes de assumir a Paroquia de Nossa Senhora da Conceição, onde permaneceu durante 31 anos (Setembro de 1961 a Julho de 1992).

Foi pároco de Santa Catarina.

Durante o seu reinado, além do trabalho espiritual, Padre Camilo realizou um conjunto de acções que contribuíram para formação de várias gerações e das quais destacam-se a construção da Escola ou Casa Materna (66/67), onde funcionou o primeiro jardim infantil, escola primária e onde nasceu a primeira escola secundaria da ilha, o centro catequético João Paulo II, as capelas de Cabeça Monte, Monte Largo, Chã das Caldeiras (consumidas pelas lavas da ultima erupção), duplicou a capacidade da casa paroquial.

Foi fundador da equipa de Juventude de São Filipe e do extinto grupo de teatro “Chuva Brava”.

Depois do Fogo foi para São Vicente como pároco (1992) e depois na ilha Brava a partir de 2002, estando neste momento nas instalações do lar de idoso Madre Teresa de Calcutá.

Apesar da “grandiosidade” da figura de Padre Camilo e da sua obra, poucas pessoas participaram no acto de homenagem, que ocorreu nas instalações da Casa Materna, edifício que o próprio construi há meio século.

JR/AA

Inforpress/Fim

 

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