São Filipe: Ministro da Cultura sugere ‘socialização’ do projecto de requalificação do centro histórico

São Filipe, 05 Dez (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas disse hoje não concordar com a colocação de asfalto na zona Alto de São Pedro e sugere a ‘socialização’ do projecto de requalificação do centro histórico de São Filipe do Fogo.

Antes da partida para a ilha Brava, Abraão Vicente visitou na manhã de hoje as obras de requalificação do centro histórico de São Filipe, na ilha do Fogo, onde tomou conhecimento da proposta de alteração desta obra.

Segundo disse em declarações à imprensa, a empresa que ganhou o concurso está a tentar fazer uma adaptação para estender a zona asfaltada na zona Alto de São Pedro, entrando um pouco no núcleo do centro histórico.

Abraão Vicente não concorda com a decisão, que carece de um parecer técnico do Instituto do Património Cultural (IPC), por causa das implicações antropológicas e sociológicas do uso interior do espaço e da valorização dos sobrados.

“O asfalto pode significar desenvolvimento, mas se pensarmos a médio e longo prazos é mais importante preservarmos o núcleo duro da cidade dos sobrados do que introduzir asfalto só porque sim. Portanto, aqui temos que ter um equilíbrio”, advogou.

Informou que a ministra das infraestruturas já deu o seu parecer e já foi aprovada a calçada tecnicamente que pode se comportar melhor, de acordo com as características da cidade, a inclinação e tudo.

Cabe agora ao seu ministério e ao IPC acompanhar o processo de perto para que a sua implementação seja feita com qualidade, e para que sejam resgatados os traços históricos que façam com que a “mobilidade dentro do núcleo histórico seja garantida”.

Abraão Vicente defendeu que é necessário fazer uma ‘socialização’ com todos os moradores antes que seja introduzida qualquer alteração, para se evitar qualquer tipo de conflito.

“Muitas vezes vemos com a ideia que o asfalto é desenvolvimento, mas sem ‘socializar’ com os moradores, com os sanfilipenses, com os proprietários das zonas onde vai ser introduzido o asfalto. Não creio que seja inteligente da parte do dono da obra, que é o Estado, mas também da parte do empreiteiro e da câmara municipal, fazer a introdução sem a socialização”, considerou o governante.

A seu ver, “é fundamental e unânime” que a zona histórica permaneça com calceta, mas para introdução de qualquer que seja inovação, reforçou, terá que haver um amplo debate público.

O ministro parte para Brava onde irá presidir no domingo, a inauguração da exposição que marca a reabertura da Casa/Museu Eugénio Tavares, na cidade de Nova Sintra, no âmbito da Semana da Morna, que se celebra de 03 a 11 de Dezembro.

AM/CP
Inforpress/Fim

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