São Filipe: Instalação do núcleo museológico da Casa das Bandeiras terá financiamento da Embaixada dos EUA – anuncia administrador

 

São Filipe, 30 Abr (Inforpress) – A instalação do nucelo museológico da Casa das Bandeiras, socializado este domingo no quadro das festas do centenário do desenterro da Bandeira de São Filipe, contará com o financiamento da Embaixada dos Estados Unidos da América.

A informação foi confirmada à Inforpress pelo administrador da Casa das Bandeiras, Henrique Pires no âmbito da apresentação da ideia do projecto, levada a cabo este domingo em São Filipe.

O antropólogo visual do Instituto de Investigação e Promoção Cultural (IIPC), Carlos Barbosa, que desde Março está a apoiar a Casa das Bandeiras na sua instalação e quem apresentou a ideia hoje, disse que no próximo mês de Junho sairá o resultado de concurso de busca de financiamento junto da Embaixada dos EUA para a sua efectivação futura.

O actual espaço, denominado sala-museu onde estão expostas algumas peças relacionadas e que se pretende transformar num museu, revela-se, segundo Carlos Barbosa, “pequeno demais” face ao número de espólio disponível.

De acordo com este especialista, não é todo o edifício que se destina ao museu, “é só uma pequena parte”, e que talvez por falta de conhecimento científico, os responsáveis pensaram que o espaço podia ser suficiente, tendo explicado que os espólios são muito mais hoje reunindo objectos que receberam da família de Henrique Teixeira de Sousa (duas malas) que merecem ser mostrados.

“É necessário aproveitar outros espaços da Casa das Bandeiras para fazer a exposição sem perturbar outras actividades que podem ser feitas ao mesmo tempo”, defende Carlos Barbosa.

Paralelamente ao futuro museu da Casa das Bandeiras, Carlos Barbosa defende também a montagem de um outro museu na antiga casa de Aníbal Henriques, na localidade de Brandão, a cerca de cinco quilómetros do centro da cidade de São Filipe, que dispõe de uma capela, a de Nossa Senhora de Fátima, que o mesmo construiu há 81 anos (1936).

“A casa de Aníbal Henriques tem diferentes tipos de objectos, muita documentação, mas também objectos etnográficos que podem ser mostrados, e a ideia é aproveitar parte da casa, que é grande e tem três edifícios que não estão habitados actualmente, e serem acondicionados a parte interna, preservando a arquitectura da parte exterior do edifício para fazer um futuro museu”, disse Barbosa, indicando que isso vai permitir que as pessoas possam se deslocar para visitar um importante espólio deixado por Aníbal Henriques.

Carlos Barbosa disse ter aconselhado os familiares a dirigirem uma carta ao Ministério da Cultura a solicitar a intervenção neste sentido, observando que a Capela está em bom estado de conservação e que apenas alguns objectos de madeira que estão degradados carecem de ser reparados o mais urgente possível, assim como os documentos que devem ser preservados.

Além da sua preservação através da criação de museu, este defende que alguns objectos e documentos devem estar, pelo menos uma cópia digitalizada, no Arquivo Histórico Nacional sob pena de se perde, observado que muitos investigadores, de certeza, têm interesse em conhecer o espólio de Aníbal, que era um homem atento da sua época, e que além de documento pessoal, colecionou outros que retratam a vida social da época, como por exemplo uma pasta com coletânea de notícias editadas a nível nacional e internacional, sobre erupção de 1951.

Carlos Barbosa observa ainda que em havendo os dois núcleos museológicos, teriam de estar interligados (Casa das Bandeiras com Casa de Aníbal), pelo facto de Aníbal ter sido o resgatador da bandeira e das festas de São Filipe, cujo processo de desenterro que este ano celebra os 100 anos foi liderado por ele em 1917.

Segundo Carlos Barbosa, a preservação do património deve ser sempre uma prioridade, mas que cabe às autoridades locais e central fazer isso, porque implica custos, acrescentando que a história de um povo se faz com a sua identidade.

Na sala-museu da Casa das Bandeiras estão patentes algumas peças relacionadas com a bandeira, assim como fotografias e pintura em telas das principais personalidades das festas da Bandeira de São Filipe, tendo o administrador, Henrique Pires, confirmado a disponibilidade da Embaixada dos EUA de financiar a instalação do museu.

A anteceder a apresentação o futuro museu, a Fundação Casa das Bandeiras rendeu homenagem a um conjunto de figuras e personalidades ligadas a esta festa, nomeadamente os resgatadores (elementos do grupo Sete-Estrelo) e os continuadores da festa.

Igualmente promoveu uma conferência sobre o centenário do desenterro da bandeira com um painel de três investigadores, José Maria Semedo, Fausto do Rosário e Luís Pires, em que se fez uma viagem do surgimento das festas das bandeiras, a sua evolução nos últimos 100 anos e a dinâmica da festa na economia de São Filipe e da ilha do Fogo.

De entre outras figuras, estiveram no acto o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, alguns membros do Governo, deputados, presidente da Câmara de São Filipe, figuras homenageadas, representante da família de Aníbal Henriques.

A ausência do ministro da Cultura nas festividades de São Filipe foi notada e muitos questionaram sobre o facto, atendendo que Bandeira de São Filipe é considerada a maior festa tradicional de Cabo Verde.

Na ocasião notou-se também a não realização ainda de uma única visita do ministro da Cultura à ilha do Fogo, apesar dos valores histórico-culturais que a ilha enforma.

JR/FP

Inforpress/Fim

 

 

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