São Filipe: Horticultores da zona sul manifestam-se junto da delegação do MAA devido à escassez de água para agricultura

São Filipe, 07 Abr (Inforpress) – Um grupo de horticultores da zona sul de São Filipe pretendem se manifestar esta sexta-feira, junto da delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente, devido à escassez de água para agricultura.

O presidente da Associação dos Horticultores e Criadores de Gado de São Filipe e Santa Catarina, Eurico Gomes Andrade, disse à Inforpress que, não obstante a crise no abastecimento de água há sensivelmente um ano, pretende propor os seus pares que reivindiquem os seus direitos , em vez de chamar a acção de manifestação, que, segundo o mesmo, carecia de autorização prévia das autoridades.

Este agricultor disse que desde meados de Junho de 2016, altura em que a gestão de água foi assumida pelo Ministério da Agricultura, com o objectivo de melhorar a sua distribuição aos horticultores, a situação tornou-se insustentável e que muitas vezes o intervalo de fornecimento de água chega a 30 dias.

Segundo Eurico Gomes Andrade . a situação é de tal forma grave que há horticultores que não conseguem fixar novas plantas e consequente produção desde o ano passado devido à incerteza no fornecimento de água.

Explicou que a situação abrange todos os horticultores da zona sul, desde Brandão (/São Filipe) até Fonte Aleixo-sul (Santa Catarina), apesar dos que estão nas proximidades de Monte Genebra e Achada Fura Olho tenham tido período de menor escassez.

Outro horticultor de Patim contactado pela Inforpress não escondeu a sua preocupação face ao momento vivido, observando que a sua parcela está a desfazer aos bocados por falta de água.

Adiantou que raramente a água chega e que quando chega é por um período de duas horas, no máximo, o que não permite fazer stock para irrigar a sua parcela durante duas a três semanas.

Para este horticultor, os que tem parcelas em Monte Genebra estão a beneficiar melhor, talvez porque neste perímetro esteja algumas famílias deslocadas de Chã das Caldeiras, observado que antes da separação da água de consumo humano e para rega a situação era bem melhor.

Com esta iniciativa, os horticultores pretendem chamar a atenção dos responsáveis pelo sector da agricultura, no sentido de resolução da situação que emprega um número significativo de chefes de famílias.

A Associação, segundo o seu presidente, Eurico Gomes Andrade, conjuntamente com o projecto Vinha Maria Chaves, mostrou-se disponível para corrigir os constrangimentos existentes a nível da rede exclusiva para agricultura, mediante compensação do Governo, que passaria pela atribuição de pouco mais de um milhão de escudos para pagamento de mão-de-obra e construção de um reservatório.

Segundo explicou, as duas instituições iriam efectuar intervenção na rede , através de substituição de contadores e ligação à rede, mas que não houve qualquer reacção do Ministério de Agricultura.

A rede exclusiva para abastecer os horticultores era gerida pela Associação, mas desde ano passado a sua gestão passou para a Delegação do MAA.

Além de reclamar a escassez de água, os horticultores reivindicam também a redução da tarifa para agricultura e a sua uniformização a nível nacional.

JR/JMV
Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos