São Filipe: Há falta de visão das autoridades locais para reivindicar projectos estruturantes – vereador

 

São Filipe, 08 Jun (Inforpress) – A ilha do Fogo está a “perder dinâmica” no seu desenvolvimento devido à “falta de visão e ausência de vozes” das autoridades locais para reivindicar projectos estruturantes que visem integrar a ilha no tecido socioeconómico nacional.

Esta é a percepção do vereador sem pasta da Câmara Municipal de São Filipe, eleito pelo PAICV (oposição), Eugénio Veiga, que, em conferência de imprensa sobre o estado do município, indicou que passados oito meses da governação municipal não foi socializado até agora nenhum projecto de desenvolvimento quer do município como da ilha.

“E nem sinais de projectos de emergência para Chã, desobstrução do acesso a Campanas ou de empregabilidade para mitigar casos de miséria no meio rural”, reforçou a mesma fonte.

O vereador indicou que que “sem uma visão estratégica do processo de desenvolvimento de São Filipe”, a equipa camarária aposta em iniciativas isoladas para responder apenas a activistas partidários, sublinhando que “as pessoas estão mais deprimidas e sem perspectivas” e que os projectos herdados estão com ritmo lento e o termino cada vez mais distante e sem projectos para alavancar o desenvolvimento do município, da ilha e da região.

Para o ex-autarca de São Filipe, a instituição camarária não tem qualquer sensibilidade social com as famílias carenciadas, sobretudo do meio rural, e “algumas delas estão passando mesmo fome” e noutros casos sede como os moradores das localidades situadas entre Zambujeiro e Campanas de Cima que de forma injustificada estão ainda sem rede de abastecimento de água.

“Paradoxalmente Jorge Nogueira (edil) recebe mensalmente da câmara 70 mil escudos para morar na parte da casa que lhe pertence”, disse Eugénio Veiga, para quem até 2012 tal situação, se acontecesse, era qualificado de roubo ou gestão danosa, interrogando como tal acto pode ser qualificado.

Este advogou que o nível de endividamento é elevado, 170 mil contos contraídos junto das instituições financeiras dos quais 150 para obras e 20 mil para pagamento das dívidas, sem que contudo, conforme explica, qualquer obra tenha sido iniciada e dividas regularizadas.

As dívidas junto dos proprietários de transporte de estudantes vão a caminho de três meses, assim como para os estudantes que beneficiam de subsídios, além dos outros fornecedores, indicando que no final do mandato as divida ascenderão a mais de 130 mil contos.

O vereador que se queixa de falta de informação, pretende saber como terão sido aplicados os cerca de 330 mil contos, resultante dos empréstimos (170), de transferência de fundo do financiamento municipal (108), da cooperação descentralizada Luxemburguesa (38), para manutenção corrente da estrada disponibilizados pelo governo (cinco mil contos), habitação social (nove mil contos), assim como das receitas arrecadadas.

Segundo o mesmo, depois de no início do mandato ter degradado a praia de Fonte Bila com mistura de terra para extensão do acesso e de apanha selvagem de areia por um dos empreiteiros locais com “motivos obscuros” a actua equipa camarária está a proceder o encerramento definitivo de areia, o que qualifica como “quase ultimato para empobrecimento geral de todos em São Filipe”.

Eugénio Veiga aponta ainda um conjunto de situações para fazer a radiografia do município, quer no sector de manutenção de estrada, habitação social, indicando que o edil, “na perspectiva medíocre de equacionar a situação das vendedeiras nas principais ruas da cidade, resolveu transformar a cidade dos sobrados numa da cidade das barracas, mandando construir algumas a 50 metros do edifício de Paços do Concelho”.

O vereador manifestou a sua solidariedade para com as pessoas desfavorecidas, sobretudo as vítimas de acidente de viação e a sua inquietação pela ausência de visão, resposta e sobretudo de insensibilidade social forte das autoridades perante o sofrimento das pessoas.

Para o desenvolvimento do município e da ilha, Eugénio Veiga, defende uma intervenção na cidade através de projectos estruturantes para sector de saneamento (rede de esgoto é urgente e fundamental), requalificação urbana dando continuidade a integração e modernização com equipamentos do século XXI, aeroporto de maior capacidade ou pelo menos a realização de mais voos, pólo universitário, maior confiança dos turistas e dos investidores, de entre outros.

JR

Inforpress/Fim

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