São Filipe: Atraso na implementação do projecto de ligação de água às localidades de zona norte alta é propositado – GPAIS

 

São Filipe, 27 Jun (Inforpress) – O atraso na implementação do projecto de abastecimento de água a 15 localidades da parte alta da zona norte de São Filipe, desde Inhuco a Campanas de Cima, é propositado, considera a Comissão Permanente do GPAIS.

O líder do Grupo Independente por Amor Incondicional a São Filipe (GPAIS), Luís Pires, em conferência de imprensa disse hoje que o projecto foi iniciado no mandato anterior e que funcionou muito bem até às ultimas eleições autárquicas.

Luís Pires recordou que neste âmbito tinha sido construído um total de sete reservatórios, quatro estações de bombagem e aquisição de todos os materiais necessários, como tubagens, quadros eléctricos e acessórios para canalização, incluindo contadores e torneiras de serviço para ligação domiciliaria, materiais que estão nos armazéns da Águabrava.

“Em Agosto de 2016, parte dos cerca de 70 quilómetros de tubos já tinha sido lançada e coberta em valas, desde São Pedro a Lomba e Aleixo Gomes”, disse o ex-autarca, observando que se trata de um projecto que ronda os 150 mil contos e que mobiliza vários parceiros, tais como duas organizações não-governamentais luxemburguesas (cerca de 14 mil contos), Águabrava (mais de 16 mil contos), a Comissão Regional de Parceiros (mais de oito mil contos), Estado de Cabo Verde (90 mil contos) e a própria Câmara de São Filipe (mais de 17 mil contos).

“A engenharia financeira foi montada muito bem e com os recursos das duas ONG de Luxemburgo construímos sete reservatórios e quatro estações de bombagem, e com parte do valor disponibilizado pelo Estado de Cabo Verde investiu-se na aquisição dos materiais e arranque dos trabalhos”, disse Luís Pires.

O responsável observou que todos os trabalhos realizados até meados de Julho de 2016 foram pagos, e os realizados até meados de Agosto deviriam ser pagos pela nova Câmara, após a fiscalização dos trabalhos.

“Não podíamos pagar por obras contratualizadas que, na altura, ainda não tinham sido executadas”, disse Pires.

O ex-autarca esclarece as dívidas que o seu sucesso diz ter encontrado, afirmando que as comparticipações da Águabrava, da CRP e da própria Câmara rondam os 41.500 contos, valor muito superior ao montante da divida que a nova Câmara deveria mobilizar.

Luís Pires sublinhou que a autarquia poderia não encontrar nada por pagar, se o Governo eleito tivesse já dado solução para solicitação da isenção do pagamento de IVA que a Câmara fez em Maio de 2016, no valor de 8.270 contos, acrescido de mais 13.746 contos de IVA referentes aos quatro lotes de materiais adquiridos para o valor.

Pelas contas de Luís Pires, no total estão por contabilizar mais de 63 mil contos, mais do que o dobro do valor da divida que actual equipa diz ter encontrado, que ronda os 30 mil contos.

Por esta razão, o líder do GPAIS afirma não compreender a não materialização do projecto, quando mais de cinco mil pessoas da parte alta da zona norte continuam a beber água não potável e todos os anos, quando se aproxima do período das chuvas, passam por grande dificuldades e toda a população está num total desespero.

Segundo Luís Pires, a Câmara, que já deviria ter água colocada em todas as torneias das casas das 15 localidades, continua parada e não dá nenhuma satisfação a população daquelas localidades, indicando que investimentos em projectos municipais estratégicos e estruturantes como os de abastecimento de água para zona norte devem constituir prioridades em relação a todos os demais projectos.

“Tudo o que é necessário para esta obra emblemática está em São Filipe e que os trabalhos só não foram retomados ainda porque o presidente da Câmara não quer ou porque demagogicamente quer vir dizer depois que o projecto é dele”, afirma Pires.

JR/JMV

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos