São Filipe: Antigo autarca classifica serviços de saneamento como “sorvedouro dos recursos” e “centro de recrutamento de activistas políticos”

São Filipe, 07 Abr (Inforpress) – O antigo presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Eugénio Veiga, qualificou o Serviço Municipalizado de Saneamento como “um autentico sorvedouro de dinheiro, centro de recrutamento de activistas políticos e abrigo de familiares de eleitos e/ou do director/delegado”.

Na página oficial de GIUSD, na rede social, que foi transformada na Associação “Fogo Solidário”, Eugénio Veiga afirma que o “Serviço Municipalizado de Saneamento, depois do recrutamento de seis elementos, três supostos calceteiros e três serventes, com gastos acumulados que estão ultrapassando os mil contos, na perspectiva de apaziguar ânimos de possíveis activistas mais influentes, que estavam dando sinais de alguma impaciência, mais cinquenta pessoas se admitiram”, sem se conhecer os critérios de admissão e as listas.

Eugénio Veiga adiantou à Inforpress que até agora, o erário público municipal suporta despesas de aproximadamente mil e quatrocentos contos e com a contratação dos supostos calceteiros e dos activistas políticos, estes valores aproximam-se dos três mil contos, indicando que “é muito dinheiro para uma câmara, supostamente endividada”.

A situação social, afirma, “é extremamente grave, havendo pessoas que não levam panela ao lume, doentes que não vão aos serviços de saúde, crianças que não vão às escolas”, prognosticando que com o decorrer dos tempos, a tendência, caso não haja medidas concretas do poder público, poderá ser pior.

Para Eugénio Veiga , todo o processo de empregabilidade das pessoas, com critérios, de forma responsável, para concretização de acções socialmente úteis, merece e merecerá sempre a anuência de todos.

“Os activistas políticos devem ser acalentados com disponibilidades financeiras dos respectivos partidos políticos”, disse o antigo autarca de São Filipe, para quem a gestão é “catastrófica e danosa”, assemelhando-se mais a acção de um capataz colonial, do que a intervenção de um gestor do século XXI.

Como exemplo de má gestão e de compadrio, Veiga indicou o recrutamento, pelo Serviço de Saneamento, sem que se conheça qualquer critério, de um maquinista, irmão de um dos vereadores, para substituir um outro, que sempre fazia trabalhos, quando dele se necessitasse, mas ao novo maquinista paga-se mensalmente, havendo ou não necessidade.

Outro exemplo apontado por Eugénio Veiga  é a contratação de uma parente próxima do director/delegado para a função de tesoureira, assim como algumas regalias atribuídas ao director/delegado, que mora numa das casas municipais e com direito à viatura de uso pessoal e para interesse familiar, mesmo nos dias da semana e fins-de-semana, contrariando o estatuído na lei.

Acrescentou que “tudo isto era propalado como sendo nepotismo, compadrio, clientelismo, abuso do poder, irresponsabilidade”, pela actual gestão camarária.

Quer o vereador responsável pelo sector do saneamento quer o edil de São Filipe foram contactados pela Inforpress no sentido de exercerem o contraditório em relação às acusações.

O vereador Caetano Rodrigues informou que o edil iria exercer o contraditório e este, apesar de se mostrar disponível, não foi possível localizá-lo por nenhum meio.

JR/JMV

Inforpress/fim

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