São Filipe: Agnelo Adolfo Avelino Henriques foi o primeiro festeiro após o desenterro da Bandeira

 

São Filipe, 29 Abr (Inforpress) – Agnelo Adolfo Avelino Henriques, nascido na cidade de São Filipe, em 1886, foi o primeiro mordomo das festas da Bandeira de São Filipe, após o seu desenterro em 1917.

A lista dos festeiros entre 1917 e 1933, exposta pelo neto de Agnelo Adolfo Avelino Henriques, de nome Agnelo Vieira de Andrade, num dos stands da feira de produtos agroindustriais, consta que neste ano de desenterro da Bandeira tinha sido ele o festeiro de São Filipe.

Apesar de ser o primeiro festeiro após o desenterro da Bandeira, o nome de Agnelo Adolfo Avelino Henriques não consta da lista dos homenageados pela Casa das Bandeiras, a titulo póstumo.

Mas o neto considera que tal omissão se deve, possivelmente, ao facto da lista original dos festeiros e dos Sete Estrelos, escrita em tinta permanente e exposta na Casa das Bandeiras, foi-se apagando por ter sido deixado durante muitos anos à luz do sol e a instituição já não saber qual a lista dos festeiros entre 1917 e 1933.

“A lista estava muito apagada e não se conseguia lê-la, esta (a que estava exposta) foi encontrada depois e resolvi recupera-la”, disse o neto Agnelo Vieira Andrade, que adiantou que se a Casa das Bandeiras estiver interessada pode disponibilizar uma cópia.

Habilitado com o curso de Ultramar, Agnelo Adolfo Avelino Henriques, que regressou à ilha em 1914, foi administrador do concelho entre 1930 e 1942, ano em que foi preso pelo regime salazarista, por, juntamente com outros cabo-verdianos (António, Abílio Macedo e outros), ter solicitado apoio dos emigrantes nos Estados Unidos da América para fazer face ao período de fome grassava o arquipélago.

Transferido de barco para Praia e depois para S.Vicente, Fortim D’el-rei, tendo o seu irmão António Avelino Henriques, degredado para S.Tomé e Príncipe, mas dadas as funções que desempenho a nível da administração pública teve uma pena mais leve e que consistiu no seu afastamento da administração pública e da vida politica.

Ele que era co-proprietário do Morgadio de Monte Queimado, cujo café (Moka) foi distinguido com medalha de ouro em 1934, depois de em 1932 ter participado na exposição colonial no Porto, passou a dedicar-se ao cultivo do café e à propriedade de Monte Queimado, fazendo administração e a promover o café do Fogo, o verdadeiro café 100 por cento arábico e 100 orgânico.

Foi o primeiro correspondente do Banco Nacional Ultramarino, BNU, que funcionava na sua residência e proprietário da casa comercial “Agnus”.

Na celebração do centenário do desenterro da Bandeira de São Filipe e em que se presta homenagem ao grupo Sete Estrelos, pela ousadia, a figura do primeiro festeiro deveria ser também lembrada e homenageada, como defendem várias vozes.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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