São Domingos: PAICV denuncia dívidas de mais de 260 mil contos herdadas da anterior gestão camarária

Cidade da Praia, 25 Jul (Inforpress) – O líder da bancada municipal do PAICV, Ulisses Borges, denunciou hoje que a situação económica e financeira da Câmara Municipal de São Domingos é “preocupante” porque a actual equipa camarária herdou dívidas de mais de 260 mil contos.

O líder da bancada municipal do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) fez esta denúncia em conferência de imprensa, que teve como principal finalidade abordar a situação política e económica do município de São Domingos.

Segundo o eleito municipal do partido que sustenta a câmara, a conferência foi realizada neste momento porque só é que agora a actual equipa conseguiu todos os documentos que permitiu fazer “análises profundos” da situação económica e financeira da câmara municipal, já que, lembrou, a passagem de pasta não permitiu à nova equipa ter todos os dados para fazer tal avaliação.

“A actual equipa camarária encontrou um avultado valor em dívida, que ascende os 260 milhões de escudos, o qual iremos fazer uma discrição a continuação das dívidas com o banco mais de 113 milhões escudos, com a INPS mais de 40 milhões escudos com a finança mais de 20 milhões escudos, dívida com os empreiteiros mais de 23 milhões escudos”, denunciou.

Ainda segundo a mesma fonte, a anterior equipa camarária deixou dívidas na Electra de “mais de 13 milhões de escudos”, na Unitel T+ “de 1 milhões escudos”, com terceiros, “mais de 14 milhões escudos” e com a CV Telecom de “mais de 4 milhões de escudos”.

Ulisses Borges apontou neste sentido que a situação do INPS “é complicada”, já que a mesma “prejudica de forma direta” os trabalhadores que deveriam ter esse serviço a sua disposição.

“Esta situação vem desde 2010, criado pela má gestão de empréstimo bancário no valor de 90 milhões de escudos para a compra do terreno de Ribeirão Chiqueiro, cujo o propósito era infra-estruturar e vender os lotes. Então, venderam os lotes, não foi feita a infra-estruturação e, o pior, não foi pago ao banco o valor em dívida e muito menos se sabe deste dinheiro, o que consideramos gravíssimo”, revelou.

Questionou ainda de quem será a responsabilidade pelas transferências feitas para a execução de obras iniciadas em algumas localidades do município e que não foram terminadas na sua totalidade, tal como a requalificação de Choupana, a requalificação de Achada Baleia, requalificação de Vale da Custa e estrada de Nora que passa a frente da delegação do Ministério de Ambiente, entre outras.

“Caros são-dominguenses, não existem obras no município, mas sim um avultado valor em dívidas o que dificulta a acção da atual equipa camarária. Pois, consideramos que essas más práticas de uso de recursos sem conhecer o resultado ou obras importantes não deveria fazer escola no nosso município”, declarou, afirmando que a bancada municipal fez a denúncia e que cabe agora às entidades competentes fazer a sua parte.

Destacou, por outro lado, as acções concretizadas pela nova equipa camarária liderada por Isaias Varela, Qem prol do desenvolvimento local e melhoria de condições de vida” dos munícipes, ressaltando que o presidente da câmara tem trabalhado “com transparência e verdade”, e que implementou uma “política de proximidade”.

Reconheceu, entretanto, que o município enfrenta desafios causados principalmente pelos sucessivos anos de seca, pela pandemia da covid-19 e agora mais recentemente a guerra na Ucrânia, “impactando negativamente” a vida das famílias.

Apelou, neste sentido, a um “forte engajamento” de todos, nomeadamente do Governo, da Presidência da República, dos parceiros, das ONG, instituições locais, igrejas e, sobretudo, dos são-dominguenses residentes, não residentes e na diáspora para que juntos possam colocar São Domingos “no mais alto patamar de desenvolvimento”.

 

CM/AA

Inforpress/Fim

 

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