Santo Antão/Pescas: Municípios reforçam preocupação de operadores sobre “esquecimento” do sector

Porto Novo, 31 Out (Inforpress) – O “esquecimento” em que se encontra a pesca em Santo Antão preocupa também a associação dos municípios desta ilha, que já alertou ao Governo para a necessidade de dotar a região de infra-estruturas de apoio ao sector.

Depois de os operadores terem chamado a atenção para o “abandono” em que se encontram as pescas em Santo Antão, a Associação dos Municípios de Santo Antão (AMSA) reforça essa preocupação, lembrando que “não se fez ainda qualquer investimento” neste domínio, na ilha, “não obstante as potencialidades existentes”.

O presidente da AMSA, Orlando Delgado, disse não entender o facto de, ao longo dos anos, não se ter feito “absolutamente nada” que pudesse potenciar este “sector estratégico” para o desenvolvimento de Santo Antão.

Este responsável, que no início de Outubro aproveitou um encontro, em São Vicente, com o secretário de Estado Adjunto para Economia Marítima, Paulo Veiga, para chamar atenção para a situação da pesca em Santo Antão, quer que o Governo olhe para essa actividade como sendo “estratégica” para a economia local.

Apesar das potencialidades de que Santo Antão dispõe nesse sector, a ilha continua “sem um único cais de pesca”, segundo os operadores.

Associações de pescadores têm estado a alertar para a necessidade de Santo Antão ter, pelo menos, um cais de pesca, mas também desembarcadouros de botes para o apoio à pesca na ilha, onde se localiza “um dos mais importantes bancos de pesca” do arquipélago, o do Noroeste, nas imediações do Tarrafal de Monte Trigo.

Na Ribeira Grande, os operadores insistem na  construção do cais de pesca da Ponta do Sol, enquanto no Paul, os pescadores têm vindo a pedir a reabilitação dos já degradados desembarcadouros do Penedo de Janela e de Passos.

As associações de pescadores da cidade do Porto Novo e do Tarrafal e Monte Trigo têm reclamado a construção de “pequenos cais de pesca” nessas comunidades, onde existem cerca de 300 operadores.

Segundo o presidente da Câmara Municipal do Porto Novo, Aníbal Fonseca, Santo Antão tem um outro “grande potencial” que é o mar, que pode ser, também, explorado para fins turísticos, uma vez que a ilha tem “a maior biodiversidade marinha” de Cabo Verde, admitindo que não se tem “dado conta desse activo que temos”.

Entretanto, o Governo anunciou, a partir de Janeiro, investimentos à volta de 200 mil contos sobretudo para o desenvolvimento das pescas no Tarrafal de Monte Trigo.

Trata-se de um projecto integrado, no âmbito do qual estão previstas a criação de arrastadouros de botes, a aquisição de uma embarcação semi-industrial e a transformação e comercialização do pescado.

Ainda segundo o Governo, encontra-se na forja a construção, em todo o arquipélago, de uma rede de cais de pesca, num programa que vai abarcar a ilha de Santo Antão.

JM/AA

Inforpress/Fim

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