Santo Antão: MAA inicia processo de deslocalização do centro pós-colheita para porto do Porto Novo

 

Porto Novo, 11 Jul (Inforpress) – O centro pós-colheita de Santo Antão, construído em 2010, em Água Doce, arredores da cidade do Porto Novo, no quadro do programa Millennium Challange Account (MCA), vai ser deslocalizado para o porto, para melhor poder servir os agricultores.

O Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) confirmou à Inforpress que o processo de deslocalização do centro de expurgo já está em curso, assegurando que, “dentro de pouco tempo”, os agricultores vão poder proceder à inspecção e tratamento dos seus produtos dentro do próprio porto, onde ficará situado esse centro.

O delegado do MAA no Porto Novo, Joel Barros, explicou que vão ser instalados no porto os equipamentos mínimos que vão permitir efectuar a limpeza, tratamento e embalagem dos excedentes agrícolas a ser exportados para as outras ilhas.

Os agricultores santantonenses, desde a operacionalização do centro, em 2013, se têm queixado da “má localização” dessa infra-estrutura, factor que, segundo esses produtores agrícolas, criar vários constrangimentos, desde logo o problema de custos.

O próprio MAA já admitiu que a sua má localização faz com que o centro pós-colheita, instalado para contornar o problema do embargo, imposto desde 1984, aos produtos agrícolas de Santo Antão por causa da praga dos mil pés, tenha sido, ao longos desses quase cinco anos, “sub-utilizado”.

Segundo o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, o centro de expurgo tem “muitas vulnerabilidades do ponto de vista do tratamento dos produtos que saem da ilha de Santo Antão. Desde logo, a sua localização. Fica afastado do porto e há o problema de custo do serviço prestado aos agricultores”, explicou.

Além de má localização, os custos de funcionamento e os constrangimentos ainda existentes a nível dos transportes inter-ilhas são outros factores que têm levado ao sub-aproveitamento do centro de expurgo de Santo Antão, que representou um investimento à volta dos 120 mil contos (construção e equipamento), financiado no quadro do primeiro compacto do MCA.

Desde da sua operacionalização, em Janeiro de 2013, o centro, que tem capacidade para processar quase quatro mil toneladas de produtos agrícolas por ano, só conseguiu tratar cerca 450 toneladas de produtos agrícolas diversos, que foram exportados, sobretudo, para a ilha do Sal.

Os agricultores de Santo Antão têm vindo a pedir o levantamento do embargo que, avisam, “sufoca” há mais de três de décadas, a agricultura nesta ilha.

O centro pós-colheita acabou por minimizar os efeitos do embargo, já que os produtos passaram a ser exportados para os mercados turísticos emergentes do Sal e da Boa Vista, mas os agricultores exigem que essa medida seja levantada “sem quaisquer reservas”, para possibilitar que os excedentes de Santo Antão cheguem a outras ilhas.

Durante a sua recente visita a Santo Antão, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, admitiu a possibilidade de o Governo “estudar os mecanismos” e “ver a possibilidade” de os produtos provenientes das zonas ainda não afectados por mil pés passarem a circular, livremente, em todas as ilhas.

No caso do Porto Novo, há ainda quatro vales livre dos mil pés (Tarrafal de Monte Trigo, Martiene, Chã de Norte e Chã de Branquinho).

JM/CP

Inforpress/Fim

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