Santo Antão: Há mais água e terrenos para agricultura mas o problema de mercado constitui ainda enorme desafio – MAA

 

Porto Novo, 10 Jul (Inforpress) – O delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) no Porto Novo considerou hoje que há mais água e terrenos disponíveis para a agricultura em Santo Antão, mas o acesso ao mercado constitui ainda “um enorme desafio” para este sector.

Segundo Joel Barros, Santo Antão tem hoje mais água mobilizada e mais terrenos disponíveis para agricultura, mas coloca-se ainda “um desafio enorme” que é criar as condições para que os produtos cheguem aos mercados nacionais.

Os produtores, conforme este responsável que falava, esta segunda-feira, no Porto Novo, na abertura de uma formação para os técnicos do MAA na região do Barlavento, sobre o cooperativismo e associativismo, precisam ser melhores orientados em relação à questão do mercado.

Por isso, Joel Barros reputa de “grande importância” a formação de três dias, que se enquadra na estratégia do MAA de empresarializar o sector agrícola em Cabo Verde, já que vai permitir capacitar esses técnicos que vão apoiar os agricultores na sua organização em cooperativa e/ou associações.

Segundo Joel Barros, é possível organizar melhor os agricultores com vista a fazer face à problemática do mercado em Cabo Verde, que se coloca ainda com alguma acuidade em relação aos produtos agrícolas de Santo Antão.

Nesta altura, os agricultores, devido à falta de mercado, que decorre, igualmente, da existência da praga dos mil pés, que afecta quase toda a ilha de Santo Antão, vendem, ao desbarato, aos “rabidantes”, os seus produtos à entrada do porto do Porto Novo.

“Então, porque os agricultores não se organizem em cooperativas ou associações que possam ocupar, pelos menos, da parte de comercialização”, defendeu o delegado do MAA no Porto Novo, informando que a formação vem ao encontro da política traçada pelos serviços da extensão rural, visando a empresarialização da agricultura, no arquipélago.

No concelho do Porto Novo, além do problema do mercado, os agricultores debatem ainda com outro constrangimento que se prende com o escoamento dos produtos provenientes de muitos vales ainda encravados.

Martiene, Chã de Norte, Chã de Branquinho, Dominguinhas e Tarrafal de Monte Trigo carecem ainda de estradas condignas para facilitar o escoamento dos produtos e sua colocação no mercado com algum valor competitivo, segundo os lavradores.

O Governo já anunciou o desencravamento do Tarrafal de Monte Trigo, com a construção da segunda fase da via de acesso à localidade, mas, também, dos vales de Chã de Norte e Martiene, cujas obras deverão ser lançadas ainda no decorrer de 2017.

A construção dessas acessibilidades insere-se no âmbito de um programa de cariz nacional anunciado pelo executivo cabo-verdiano, que consiste no desencravamento das localidades com algum potencial económico nos domínios da agricultura, pesca e pecuária.

JM/CP

Inforpress/Fim

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