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Santo Antão: Governo “pouco entusiasmado” em levantar embargo aos produtos agrícolas desta ilha, segundo técnico

Porto Novo, 12 Abr (Inforpress) – O Governo pode desistir da ideia, inicialmente, avançada de, ainda em 2018, levantar, parcialmente, o embargo imposto, há mais de três décadas, aos produtos agrícolas de Santo Antão, por causa da praga dos mil-pés (illacme plenipes).

O Governo, através do primeiro-ministro, havia admitido a possibilidade de levantar, mesmo que parcial, o embargo perante a pressão dos produtores agrícolas e dos presidente das câmaras de Santo Antão que, insistentemente, têm defendido o fim dessa medida de quarentena, decretada em 1984.

Em Junho de 2017, Ulisses Correia prometera que o Executivo iria “analisar os mecanismos” com vista a levantar, de forma parcial, o embargo para possibilitar que os excedentes das zonas ainda livre dessa praga, como Tarrafal de Monte Trigo, Martiene, Chã de Norte, Chã de Branquinho, todos no concelho do Porto Novo, pudessem circular, livremente, no mercado nacional.

Porém, o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), avançou um técnico ligado aos serviços fitossanitários deste ministério, parece “pouco entusiasmado” a avançar com o levantamento, dado os riscos que essa medida acarreta para as ilhas agrícolas.

Nos encontros já mantidos com os deputados nacionais por Santo Antão, o próprio ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, tem defendido “ponderação” em relação a esta questão, mostrando-se “pouco estimulado” a avançar com o levantamento parcial do embargo.

Os agricultores santantonenses dizem não entender o facto de os produtos agrícolas de Santo Antão não poderem ser exportados por causa dos mil-pés, quando esta ilha continua a “importar” pragas das outras regiões agrícolas do país.

“Não nos deixam exportar os produtos por causa dos mil-pés, mas somos obrigados a receber em Santo Antão toda a espécie de pragas vindas de outras ilhas”, desabafa o produtor agrícola, Lourenço Lima, considerando que o embargo “tem estrangulado” a agricultura em Santo Antão.

“Com o embargo, os produtos de Santo Antão deixaram de ter mercado e a agricultura nesta ilha entrou em claro declínio”, avançou, também, o agricultor, José Rocha.

Os autarcas e as próprias estruturas do MAA em Santo Antão têm estado a pedir revisão dessa medida, exortando os deputados nacionais eleitos por esta ilha a articularem “esforços” no sentido de levar o Governo a suspender a quarentena.

Segundo o edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, “a questão do embargo” tem de ser revista “mais profundamente” a bem do futuro da agricultura em Santo Antão, sugerindo ao Governo a ponderar a possibilidade de se levantar o embargo aos produtos das localidades ainda sem essa praga.

Os autarcas aproveitaram a recente conferência sobre a regionalização, que se realizou, em Santo Antão, em finais de Março, presidida pelo chefe do Governo para voltar a insurgir-se contra o embargo que, desde do anos 70, afecta a actividade agrícola nesta ilha.

O presidente da câmara da Ribeira Grande, Orlando Delgado, considerou que o embargo, pelas suas implicações no sector agrícola em Santo Antão, constitui uma das “principais preocupações” que se colocam ao processo de desenvolvimento desta ilha.

A partir de 2013, com a entrada em funcionamento do centro de expurgo de Santo Antão, o Governo autorizou o escoamento dos produtos agrícolas desta ilha para os mercados turísticos do Sal e Boa Vista.

Porém, a má localização do centro, que fica nos arredores da cidade do Porto novo, afastado do porto, e a irregularidade nos transportes marítimos inter-ilhas têm condicionado muito a exportação dos excedentes para esses mercados.

A praga dos “mil-pés” surgiu em Santo Antão nos finais dos anos 70, vinda da Europa em plantas de jardim.

Com a sua proliferação, e como forma de impedir o seu alastramento às outras ilhas, as autoridades decretaram, em 1984, o embargo aos produtos agrícolas de Santo Antão.

JM/ZS

Inforpress/Fim

 

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