Santo Antão: Embargo imposto há 33 anos aos produtos agrícolas está a sufocar os agricultores – produtores

 

*** Por Jaime Medina, da Agência Inforpresss***
Porto Novo, 05 Mai (Inforpress) – O embargo imposto, em 1984, aos produtos agrícolas de Santo Antão, devido à praga de mil-pés, está a “sufocar” os agricultores santantonenses, que insistem na necessidade de o Governo proceder ao levantamento, “sem quaisquer restrições”, da quarenta.

Segundo o produtor agrícola Amílcar Lima, no Porto Novo, em muitos vales, sobretudo neste concelho, a agricultura, particularmente a horticultura, está a ganhar “uma grande dinâmica”, graças aos investimentos feitos, nos ultimes anos, na mobilização de água, mas, a seu ver, “o embargo continua a estrangular os agricultores”.

“A agricultura está a avançar. Falta somente levantar o embargo, que está a sufocar os agricultores”, notou Amílcar Lima, que exortou o Governo a pôr fim à essa medida, que restringe a circulação dos produtos agrícolas de Santo Antão nos mercados nacionais.

Em 2013, o então Governo, com a entrada em funcionamento do centro de expurgo do Porto Novo e com a formação de 30 inspectores, procedeu ao levantamento parcial do embargo, restringindo a exportação dos excedentes apenas aos mercadores turísticos emergentes da Boa Vista e do Sal.

José Santos, outro produtor agrícola santantonense, defende que o embargo “deve ser revisto” e permitir que “os produtos agrícolas de Santo Antão volte a circular, livremente, pelas ilhas de Cabo Verde”.

Para este agricultor, com todas as dificuldades em termos de transportes marítimos paras as ilhas da Boa Vista e Sal, o mercado de São Vicente é único que resta para os produtores de Santo Antão, que se sentem “estrangulados” com essa medida, em vigor há de três décadas.

“Esta questão do embargo dever ser revisto. O Governo deveria também fazer um estudo cientifico dos mil-pés para se conhecer melhor essa praga”, que entrou em Santo Antão há cerca de 40 anos, sugeriu José Santos, para quem o problema do mercado tem contribuído, também, para a desvalorização dos produtos agrícolas em Santo Antão.

Em Fevereiro, os produtores agrícolas de Santo Antão, num encontro com o ministro da Economia, José Gonçalves, na Ribeira Grande, voltaram a exigir o levantamento, “sem quaisquer restrições”, do embargo que, no entender dos homens do campo, têm sido “o principal entrave” ao desenvolvimento da agricultura, nesta ilha.

José Gonçalves disse, na ocasião, que ia “ver esta questão” com o membro do Governo responsável pela pasta da Agricultura e Ambiente, com vista à resolução do problema do embargo “porque Santo Antão não pode ficar paralisada”.

José Gonçalves questionou ainda o “porquê de se importar, do estrangeiro, aquilo que é produzido” em Santo Antão.

Os autarcas em Santo Antão têm estado, da mesma forma, a pedir o fim do embargo.

O presidente da Associação dos Municípios de Santo Antão, Orlando Delgado, defende o levantamento “sem reservas” da quarenta, para que os excedentes agrícolas de Santo Antão possam chegar, além do Sal e da Boa Vista, aos mercados de grande potencial nas outras ilhas.

A praga dos “mil-pés” surgiu em Santo Antão nos finais dos anos 70, vinda da Europa em plantas de jardim, trazidas por um agricultor santantonense.

Com a sua proliferação, e como forma de impedir o seu alastramento às outras ilhas, as autoridades decretaram, em 1984, o embargo aos produtos agrícolas de Santo Antão, medida que foi sempre contestada pelos agricultores.

Desde então, a agricultura, enquanto principal actividade económica de Santo Antão, entrou em “claro declínio”, devido à perda de mercado, segundo os produtores.

A operacionalização do centro pós-colheita, em 2013, acabou por minimizar o problema de mercado, mas os agricultores tem estado a pedir o fim da quarenta, sem quaisquer reservas.

JM/JMV

Inforpress/fim

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