Santo Antão: Criadores de gado congratulam-se com anunciado fundo de emergência mas pedem “urgência” para Porto Novo

Porto Novo, 02 Nov (Inforpress) – As associações dos criadores de gado no Porto Novo em Santo Antão congratularam-se, hoje, com o anúncio do Governo na criação do fundo de emergência para responder à situação de seca e outros fenómenos naturais no arquipélago.

A associação dos criadores de gado da zona baixa da cidade do Porto Novo, onde estão concentrados mais de sete mil efectivos, enaltece a iniciativa do Governo de criar o fundo de emergência que, no seu entender, deveria ser activado “imediatamente” em relação a este concelho, dado o agravamento da seca, com implicações directas na vida de mais de meio milhar de famílias.

O representante desta associação, Romeu Rodrigues, disse à Inforpress que os criadores já estão “apreensivos” face a mais um ano de seca que se desenha, pelo que começam a deslocar os seus animais para a parte Sul do Porto Novo, uma das raras zonas bafejadas com alguma chuva este ano, em todo este município.

Romeu Rodrigues alertou ainda que, além da seca, os criadores estão a enfrentar uma outra situação de emergência, que tem a ver com doenças que estão a dizimar muitos animais.

“No caso do Porto Novo, esse fundo de emergência deveria ser posto em prática imediatamente, dada à situação que se vive neste concelho, com um dos maiores efectivos pecuários do país (mais de 23 mil cabeças de gado), a viver uma grave situação de seca”, adiantou este responsável.

Este responsável voltou a sugerir a instalação de um laboratório de análises zootécnicas neste concelho que, no seu entender, “faz muita falta” ao sector pecuário.

Conforme explicou, animais (cabras e vacas) estão a morrer neste concelho porque não há um laboratório de análises zootécnicas para se conhecer o tipo de enfermidade que os atacam e fazer o devido tratamento.

No Planalto Norte, onde praticamente toda a população (quase 70 famílias) vive da pecuária, a situação exige “urgência” em termos de resposta por parte do Governo, segundo o representante dos criadores, António Lima.

“Gostámos da iniciativa do Governo, mas ficávamos muito mais satisfeitos se o auxílio chegasse aos criadores de Porto Novo o mais rapidamente possível. É mesmo urgente”, declarou este criador de gado, também presidente da Associação Comunitária do Planalto Norte, a zona mais afectada pela seca que fustiga nos últimos anos, o município do Porto Novo.

O Governo decidiu criar o fundo de emergência, orçado em 150 mil contos, para dar “resposta consistente” aos fenómenos naturais que têm abalado o país nos últimos anos.

O fundo, segundo o Executivo, será um mecanismo financeiro de preparação para as emergências em Cabo Verde, país arquipelágico, vulcânico e vulnerável que, além das mudanças climáticas, ao longo da sua história tem lidado com períodos de seca, algumas inundações e erupções vulcânicas.

O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, que esteve esta semana de visita a Santo Antão para avaliação do ano agrícola, informou que o Governo vai “desenvolver acções no sentido de continuar a apoiar” os criadores de gado no Porto Novo, “a zona mais crítica” em relação à seca.

Uma equipa do Ministério da Agricultura e Ambiente vai estar, “dentro de dias”, no terreno para discutir com os criadores o arranque das acções “a curto prazo”, prometeu o ministro.

JM/FP

Inforpress/Fim

 

 

 

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