Santo Antão: Barragem de Canto de Cagarra começa a receber “dentro de dias” intervenções orçadas em 33 mil contos

 

Porto Novo, 14 Jul (Inforpress) – A barragem de canto de Cagarra, no vale da Garça, em Santo Antão, que ficou seriamente danificado durante as cheias de 2016, começa a receber, “dentro de dias”, obras de recuperação, estimadas em 33 mil contos.

A informação foi avançada à Inforpress pelo delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), em Ribeira Grande de Santo Antão, Orlando Jesus Delgado, que assegurou que as condições estão, praticamente, criadas para o arranque das obras de recuperação da barragem, que, em 2016, sofreu danos avultados, na parte à jusante.

Segundo este responsável, o empreiteiro aguarda apenas pela chegada de alguns materiais provenientes de Portugal para iniciar as obras, que vão incidir na reposição da parte de adução e distribuição da água e da rampa, estruturas que foram destruídas pelas cheias de Setembro do ano passado.

As intervenções incidem, igualmente, na instalação de energia eléctrica nessa barragem, para o funcionamento das bombas ali instaladas, segundo Orlando Jesus Delgado.

O delegado do MAA em Ribeira Grande de Santo Antão tem vindo a alertar, entretanto, para a necessidade do Governo avançar com um plano de médio e longo prazo para travar o processo de assoreamento e de infiltração desta infra-estrutura hidráulica, inaugurada em 2014.

Segundo Orlando Jesus Delgado, a barragem de Canto de Cagarra está num “processo muito acelerado de assoreamento” e Santo Antão corre o risco de “perder” essa infra-estrutura hidráulica, caso não sejam tomadas medidas para resolver essa situação.

A barragem, que custou cerca de 575 mil contos, tem sido invadida, nas últimas cheias que assolaram Santo Antão, por “uma grande quantidade de material” deixada à montante aquando da construção da estrada que liga Chã de Igreja ao vale da Garça.

O facto de se ter construído apenas dois dos 27 diques previstos à montante constitui a causa principal do assoreamento dessa barragem, segundo Orlando Jesus Delgado, para quem será necessário construir os restantes 25 diques, num investimento a rondar os 250 mil contos, para se poder salvar essa infra-estrutura.

Um outro problema que está a colocar em risco a barragem de Canto de Cagarra tem a ver com a infiltração na sua margem direita, problema cuja resolução vai exigir, igualmente, um investimento de 200 mil contos.

Ou seja, todas essas intervenções, estimados em 450 mil contos, têm de ser feitas, a médio e longo prazo, sob pena de Santo Antão perder essa barragem.

De imediato, o MAA vai avançar, no quadro do plano de emergência para Santo Antão, com as obras de recuperação da parte de adução e distribuição, bem assim da rampa e com a instalação da energia eléctrica.

A barragem de Cano de Cagarra, financiada em cerca de 575 mil contos, no âmbito de uma linha de crédito com Portugal, tem uma albufeira que comporta um volume de 418 mil metros cúbicos de água, numa extensão de 84 mil metros quadrados.

JM/JMV

Inforpress/Fim

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