Santo Antão: Autarcas e investidores acreditam que projectos públicos e privados em carteira vão manter populações na sua própria ilha 

Porto Novo, 08 Fev (Inforpress) – Os investimentos públicos e privados que, já a partir deste ano, começam a ser implementados em Santo Antão, vão contribuir para manter a população nesta ilha, que, nos últimos cinco anos, perdeu quase três mil pessoas.

A convicção é dos autarcas e dos próprios investidores, segundo os quais os investimentos em carteira, quer públicos quer privados, foram projectados “a pensar nas comunidades” e, consequentemente, “para manter as populações na sua própria ilha”.

No domínio público, o edil do Porto Novo destaca a implementação, no seu concelho, de dois projectos estruturantes: a electrificação e o abastecimento de água na zona Norte do concelho, uma das localidades mais afectadas pela deslocação das pessoas em direcção aos centros urbanos e a outras ilhas.

“Estamos a trabalhar para manter as pessoas nas suas localidades. A deslocação das populações para as outras ilhas contribui para um maior empobrecimento do nosso município e nós queremos trabalhar, exactamente, no contrário, melhorando as condições de vida das pessoas e fixando as populações nas suas comunidades”, sublinhou Aníbal Fonseca.

Graças aos seus parceiros, entre os quais o Governo, o Sistema das Nações Unidas e a cooperação luxemburguesa, a edilidade porto-novense vai poder, ainda em 2018, revolver a situação de penúria de água na zona Norte, localidade que, também, passará, dentro de quatro meses, a ter energia eléctrica 24 horas/dia, projectos estimados em 50 mil contos.

São projectos que vão permitir a integração das populações nas suas próprias comunidades, acredita o presidente da câmara do Porto Novo, para quem estancar o êxodo das pessoas em direcção aos centros urbanos e às outras ilhas constitui, “um dos maiores desafios” que se colocam, neste momento, a Santo Antão.

A construção do aeroporto é, para os responsáveis municipais, o investimento público mais aguardado que libertará Santo Antão da “estagnação económica” em que se encontra.

“O aeroporto vai ser uma realidade a partir de 2020 para o bem de Santo Antão”, acredita o autarca porto-novense.

A nível privado, os responsáveis municipais depositam “grande esperança” no projecto AquaSun, financiado através da empresa inglesa Brine Engineering Solution, que consiste na realização, em Santo Antão, de um pacote de investimentos em áreas estratégicas, como agricultura industrial e energias renováveis, na ordem dos. 2.500.000.000.

São investimentos que vão permitir, numa primeira fase, gerar mais de 150 postos de trabalho.

“Estamos a falar de investimentos para manter as pessoas na própria ilha, numa altura em que se tem falado muito da questão da perda da população. São investimentos pensados para as comunidades”, considera Anildo Teixeira, representante dos investidores, que esperam, “nas próximas semanas”, reunir todas as condições técnicas e legais que permitam o arranque do projecto.

Para os autarcas, Santo Antão está em vias de receber  “um projecto privado de grande envergadura”, o maior investimento privado jamais visto nesta ilha, que vai atenuar os problemas do desemprego e da pobreza, que afectam esta ilha.

Para 2018, Santo Antão deverá receber outros projectos privados que vão dinamizar a economia da ilha, designadamente a nível do turismo (construção de dois empreendimentos) e das indústrias cosmética (instalação de uma fábrica de sabonetes) e alimentar (a instalação de uma unidade de silos para armazenamento e comercialização de milho, arroz, trigo, feijão e soja).

Igualmente, o grupo Oásis Atlântico, já com mais de 15 anos a operar nas áreas do turismo e imobiliária-turística em Cabo Verde, pondera a possibilidade de investir nos  sectores turístico e imobiliário em Santo Antão.

Uma delegação desse grupo económico português, nascido no arquipélago, esteve em Dezembro, em Santo Antão e ficou “agradado” com as oportunidades de investimentos que se abrem nesta ilha, sobretudo no município do Porto Novo.

Na sua recente visita a Santo Antão, em Janeiro, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, defendeu a necessidade de o Governo e os municípios de Santo Antão trabalharem para a fixação “ou até retorno e aumento” da população nesta ilha.

O chefe do Governo mostrou-se, na altura, “preocupado” com o facto de Santo Antão estar a perder “parte importante” da sua população, que tem procurado outras ilhas do arquipélago ou o estrangeiro para viver.

“Vê-se, claramente, que a nível das escolas há cada vez menos matrículas. Isso significa que as famílias estão a sair. Este é um problema de Santo Antão e temos de trabalhar para que haja a fixação da população e até o retorno e aumento”, avançou Ulisses Correia e Silva.

O desencravamento e a integração das localidades constituem, também, uma forma de se fixar as populações em Santo Antão, conforme o chefe do Executivo, ao ser confrontado com o “drama” da perda dos habitantes por parte desta ilha.

Dados recentes do INE mostram que os santantonenses estão a sair, cada vez mais, da sua ilha rumo, sobretudo, à Boa Vista e Sal ou mesmo ao estrangeiro, “à procura de uma vida melhor”.

Entre 2000 e 2010, quase quatro mil pessoas saíram da ilha, mas segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), entre 2012 e 2016, Santo Antão perdeu 2.630 habitantes, passando a população de 42.552 para 39.992 habitantes.

Segundo o presidente da Associação dos Municípios de Santo Antão, Orlando Delgado, está-se diante de “um drama” que, no seu entender, resulta de “más políticas” levadas a cabo, ao longo dos anos, nesta ilha e que têm como consequência o empobrecimento cada vez mais das populações.

Alerta que, a manter-se essa tendência, “o futuro de Santo Antão pode estar comprometido”.

A execução de políticas que visem estancar, até 2020, a perda da população em Santo Antão, “ou se possível inverter essa tendência”, constitui, para o edil do Porto Novo “um grande desafio” para os municípios e o Governo.

JM/ZS

Inforpress/fim

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