Santo Antão: Associações depositam “grande expectativa” no turismo rural de base comunitária na ilha

 

Porto Novo, 09 Nov (Inforpress) – Operadores turísticos e associações que actuam no sector turístico em Santo Antão estão “expectantes” em relação ao futuro do turismo rural de base comunitário nessa ilha, que dispõe de “grande potencial”.

Santo Antão apresenta “enorme potencial” na vertente de turismo rural que, segundo as organizações que operam neste domínio, precisa se desenvolver “de forma articulada sustentada”, para que possa competir com outros mercados “já sustentados do ponto de vista de afirmação”.

Os operadores e líderes associativos em Santo Antão participaram, esta quinta-feira, no Porto Novo, na apresentação de um estudo realizado no âmbito da cooperação luxemburguesa, que visa definir, precisamente, o modelo de intervenção no quadro do turismo rural de base comunitária, nesta região.

Arlindo Delgado, presidente da Associação para o Desenvolvimento Integrado da Ribeira das Patas (ADIRP) disse que, no caso dessa localidade, existe de facto “uma grande esperança” em que o estudo possa contribuir para um turismo rural sustentado, sobretudo através de capacitação dos operadores.

O presidente da AMI Paul (Amigos dos Paul), José Pires Ferreira, congratulou-se com o interesse da cooperação luxemburguesa no incremento do turismo rural em Santo Antão e considerou que o estudo apresentado espelha os reais problemas e os desafios que se colocam ao turismo em Santo Antão.

Santo Antão enfrenta vários constrangimentos que condicionam o desenvolvimento do turismo local, desde logo a falta de formação técnica dos operadores e associações que actuam neste sector, dificuldades de transportes, má qualidade da rede viária e a questão do alojamento hoteleiro e restauração.

“Há um potencial grande e um conjunto de recursos que devem ser transformados em produtos turísticos”, informou Fernando Completo, um dos consultores envolvidos na elaboração do estudo, realizado entre os meses de Agosto e Novembro de 2017, pela empresa THC – Tourism & Hospitality Consulting.

Para este consultor, a qualificação técnica dos agentes turísticos é fundamental para o desenvolvimento sustentado do turismo rural em Santo Antão.

Os projectos Raízes (Redes locais para o turismo sustentável e inclusivo em Santo Antão), que aposta fundamental na formação dos agentes turísticos, e Rotas das Aldeias Rurais de Santo Antão, que incide, essencialmente na diversificação da oferta turística, ambos já na fase de implementação, podem, segundo os operadores, levar esta ilha a dar o salto que se deseja, em termos do turismo rural.

Em termos de desafios, o estudo destaca a necessidade de se estabilizar a rede dos transportes para Santo Antão, aumentando assim a oferta diária de passageiros entre São Vicente e Porto Novo e a criação de condições de desembarque no Tarrafal de Monte Trigo, um dos principais destinos turísticos da ilha.

A criação de uma rede sustentada de percursos pedestres para consumo turístico, devidamente sinalizada e com complemento de actividades de animação rural, de natureza, turismo de aventura, a capacitação dos recursos humanos e a promoção dos produtos locais, como o grogue, são outros desafios propostos por este estudo.

O aeroporto de Santo Antão, infraestrutura que o Governo pretende materializar a partir de 2020, contribuirá, segundo as associações, para se contornar o problema de acessibilidade, mas antes tem de se resolver outras questões, desde logo relativa ao alojamento e restauração, em que a ilha apresenta ainda algum défice.

O presente estudo, realizado no âmbito do programa Emprego e Empregabilidade da cooperação luxemburguesa, visa criar as condições para que o movimento associativo em Santo Antão comece a “coabitar estratégias” de intervenção em matéria do desenvolvimento do turismo rural, explicou Fernando Completo.

JM/FP

Inforpress/Fim

 

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