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Santo Antão: Alcoolismo preenche 20% dos internamentos nas estruturas de saúde – responsável

Porto Novo, 16 Nov (Inforpress) – O alcoolismo continua a afigurar-se entre os principais problemas de saúde pública em Santo Antão, ilha onde os problemas derivados do consumo abusivo do álcool preenchem 20 por cento (%) dos internamentos nos serviços de saúde.

“O alcoolismo é, sem duvidas, uma das nossas principais preocupações. É preocupante sim quando vimos que o alcoolismo preenche 20% dos internamentos”, confirmou a directora da Região Sanitária de Santo Antão, Ângela Gomes, que falava, esta quinta-feira, em Ponta do Sol, durante um encontro sobre a saúde mental em Santo Antão.

A responsável admitiu que tem havido “alguma evolução” a nível do internamento no hospital regional de Santo Antão, com uma média anual à volta de 250 internamentos de pacientes com transtornos comportamentais e mentais, muitos dos quais derivados do consumo exagerado do álcool.

Em todos os três concelhos, o alcoolismo aparece como sendo uma das principais causas que levam as pessoas a procurarem os serviços de saúde, avançou a responsável, admitindo que os casos de internamento de pessoas com problemas relacionados com o álcool têm estado, nos últimos anos, a aumentar em Santo Antão.

Porém, dados do hospital regional João Morais, em Santo Antão, mostram que, dos sete mil pacientes internados durante o período 2013-2017 nessa estrutura de saúde, 10% tinha como diagnóstico o alcoolismo.

Depois de uma diminuição em 2015, com a entrada em vigor da nova lei sobre o grogue, a taxa de internamento relacionado com o alcoolismo voltou a aumentar, a partir de 2016, no hospital regional de Santo Antão, ilha onde o uso crónico do álcool no dia-a-dia e um padrão de consumo muito elevado têm criado muitos problemas às estruturas de saúde.

O presidente da Associação dos Municípios de Santo Antão, Orlando Delgado, entende, todavia, que o problema de alcoolismo, que é de cariz nacional, não pode ser relacionado somente com o consumo de aguardente, lembrando que entra no país enormes quantidades de bebidas alcoólicas de má qualidade.

No caso de Santo Antão, estão criadas as condições para se proceder a um maior controlo da qualidade da aguardente que se produz nesta ilha, graças à operacionalização do laboratório, instalado, em 2013, no centro de transformação agro-alimentar em Afonso Martinho, Ribeira Grande.

Segundo o vereador pela área da saúde da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Rui Silva, o laboratório já está a funcionar sob a responsabilidade de uma técnica da área, estando em curso o processo de aquisição de um cromatógrafo que vai ampliar o campo de actuação desse laboratório, passando a certificar o grogue e outros produtos.

Os autarcas estão esperançados ainda em que a lei do álcool, já aprovado em sede do Conselho de Ministros e que, “brevemente” será discutido no Parlamento, permitirá às autoridades agirem melhor a nível de fiscalização.

António Aleixo, edil do Paul, é de opinião que essa lei dará “grande satisfação e facilitará o trabalho da fiscalização”, por parte dos municípios.

Segundo a Organização Mundial da Saúde(OMS), mais de três milhões de pessoas morrem, por ano, em todo o mundo, de doenças provocadas, directa ou indirectamente, pelo consumo exagerado do álcool.

Em Cabo Verde, onde o consumo por pessoa anda à volta dos 20,2 litros/ano, são registados, em média, 63 óbitos por ano, devido ao alcoolismo.

JM/ZS

Inforpress/fim

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