Santo Antão: Aguardente de açúcar ganha espaço na ilha com ausência da inspecção – produtores

 

Porto Novo, 17 Abr (Inforpress) – Os produtores do grogue em Santo Antão estão preocupados com a ausência da inspecção, situação que tem contribuído para que a aguardente de açúcar comece, novamente, a ganhar terreno nesta ilha, pondo em causa a qualidade do produto.

Quem o diz é Emídio Alves, porta-voz dos produtores do grogue, que informou que são muito aqueles que, nesta altura, estão envolvidos na produção da aguardente de açúcar, aproveitando o facto de “a inspecção ser praticamente inexistente”, nesta ilha.

“Com este Governo, deixou-se de fazer a fiscalização da produção do grogue em Santo Antão e “muita gente”, sabendo dessa situação, está, de forma descarada, a produzir o grogue de açúcar”, alertou Emídio Alves, que se mostrou preocupado com à ausência de acções de fiscalização por parte da Inspecção-geral das Actividades Económicas (IGAE).

Emídio Alves, residente em Ribeira da Cruz, no Porto Novo, disse nunca ter visto um inspector da IGAE nesse vale agrícola, uma situação que, alertou, se verifica um pouco por toda a ilha de Santo Antão.

Para Emídio Alves, tanto a IGAE como os municípios estão “pouco preocupados” com a qualidade do grogue de Santo Antão, onde, a seu ver, se perderam, em pouco tempo, devido à falta de fiscalização, todos os ganhos que haviam sido conseguidos em matéria de qualidade, com a nova lei do grogue, em vigor deste Agosto de 2015.

“As Câmaras Municipais têm, também, muita culpa nisso, já que têm estado a emitir licenças sem qualquer critério, violando a lei em vigor e contribuindo para o ressurgimento dos fabricantes da aguardente de açúcar”, avançou este produtor, informando que “todos os dias” chega ao interior do Porto Novo “grande quantidade” de açúcar destinada ao fabrico da aguardente”.

Com isso, as autoridades competentes estão a contribuir para a produção da aguardente de “má qualidade”, nocivo à saúde das pessoas, e colocam em causa o grogue de qualidade.

Mesmo diante de todas essas vicissitudes, há muitos produtores que estão apostados no fabrico de um grogue de boa qualidade, sabendo, de antemão, que o seu produto não vai ser valorizado, segundo Emídio Alves.

Os produtores do grogue em Santo Antão tinham alertado, em Fevereiro, para os riscos de haver retrocessos em termos de qualidade do produto, devido à ausência de acções de fiscalização por parte da IGAE.

A nova lei do grogue trouxe”melhorias substanciais” em termos de qualidade do grogue produzido em Santo Antão, mas os produtores dizem-se “muito preocupados” com a ausência de fiscalização.

José Pires Ferreira, produtor no Paul, tem manifestado, também, a sua inquietação em relação à necessidade do reforço da fiscalização, sob pena de se retornar ao “passado recente”, marcado pela produção de uma aguardente sem qualquer qualidade, a partir do açúcar refinado e de produtos nocivos à saúde.

O Ministro da Economia, a propósito de uma interpelação feita ao Governo pelos deputados da Nação, eleitos em Santo Antão, admitiu, recentemente, as dificuldades da IGAE em responder às necessidades em matéria de fiscalização das actividades económicas no país, assegurando que o seu ministério está a envidar esforços para dotar essa instituição de mais inspectores para atender à demanda.

A Confraria do Grogue de Santo Antão (CONGROG) tem estado, também, a defender a necessidade de “uma grande aposta” na fiscalização, condição necessária para se conseguir a tão desejada qualidade do grogue.

A produção do grogue em Santo Antão rondou, em 2016, os dois milhões de litros.

JM/JMV

Inforpress/Fim

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