Santiago Norte: Santiaguenses consideram que ainda é cedo para avaliar o governo

 

Assomada, 22 Abr (Inforpress) – Os nortenhos da Ilha de Santiago consideram que ainda é “muito cedo” para “avaliar ou cobrar” do Governo do Movimento para a Democracia (MpD), liderado por Ulisses Correia e Silva, as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Neste sábado, 22, o actual executivo completa um ano de governação e a Inforpress abordou algumas pessoas do interior da Ilha de Santiago que fizeram a sua apreciação, sem manifestar qualquer cor partidária.

Para alguns dos entrevistados, este um ano é de apenas “arrumar a casa”, “dar a cara do partido” e fazer algumas “nomeações, contratações e inovações”.

O artesão Aberto Diogo, por exemplo, é de opinião que ainda é muito cedo para avaliar este Governo que, depois de 15 anos na oposição, agora quer fazer “inovações” em diversas áreas.

“Para ser realista, o Governo está a fazer várias mudanças profundas, e isto, leva com que realizações não sejam concretizadas durante um ano. Já foram anunciadas políticas de mudança e projectos a serem concretizados e penso que ainda é muito cedo para avaliar, ao fundo, o desempenho do executivo”, disse.

Relativamente à cultura, disse que o ministro que tutela o sector mostra-se “muito empolgado”, e espera que toda essa energia seja transformada em novas dinâmicas para o artesanato.

Para a professora Isabel Semedo, lá se foi um ano de trabalho, “sem terem visto nada”, mas, como “o caminho é para frente”, aguarda “melhores sinais”.

“Um ano de governação é pouco, mas, ao mesmo tempo, é muito porque foram 12 meses sem vermos nada. Há coisas que estão a acontecer que nos deixam com medo do que pode acontecer durante esses próximos três anos”, disse a docente, sem entrar em pormenores.

A entrevistada, que é de São Lourenço dos Órgãos, espera ver “algum desenvolvimento” no seu município e aguarda ansiosa que, desta vez, algumas obras deixadas para trás pelo anterior governo e equipa camarária, como Paços do Concelho, espaços para jovens e delegacia de saúde, saiam do papel.

Na área da educação, o desejo é de ver as crianças com necessidades educativas especiais a receberem uma atenção especial, com a criação da sala de recursos.

Dar beneficio de dúvida e não fazer cobranças tão cedo é o que o sociólogo Henrique Varela defende, pois justifica “Cabo Verde está a sair de um momento de 15 anos de uma outra governação, e é claro que todo o governo, assim que entra tem um período de graça para acertar pontos e arestas”.

Em relação as medidas anunciadas pelo executivo de Ulisses Correia e Silva, Henrique Varela considera que a expectativa do governo era tão elevada antes da tomada do poder, mas que “agora caíram no real”.

“Temos caso da TACV, que, enquanto o partido que está no poder era oposição, sempre diziam que há soluções e forma de debelar o problema, mas chegando lá, afinal, ouvimos o governo a anunciar que o problema da empresa é muito profundo e não como estavam à espera”, apontou.

O caso da TACV, disse, pode ser estendido por outras áreas e sectores da governação que ainda estão em “stand by”.

A população do interior de Santiago está convicta de que Santiago Norte não vai ficar esquecida, pois, a “grande movimentação” dos membros do governo por esses lados, é sinal de que melhores dias virão.

AM/CP

Inforpress/Fim

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