Santiago: Historiador defende que Tarrafal deve aproveitar da sua história para reconstruir-se

 

Tarrafal, 22 Abr (Inforpress) – O historiador José Soares defendeu hoje que o município do Tarrafal (Ilha de Santiago) com 100 anos de história deve aproveitar das suas histórias para reconstruir-se e não continuar a estagnar-se no tempo.

José Soares fez esta consideração durante o fórum “História do Tarrafal”, realizado no salão nobre da Câmara Municipal, por ocasião da comemoração dos 100 anos do Tarrafal, que se assinalam no dia 25 de Abril.

Para este historiador e deputado nacional, se Tarrafal, em 1936, tinha condições para desembarcar no seu cais, 152 presos de delitos comuns e políticos, hoje pode aproveitar desta história para reconstruir o passado e ter aqui um porto de passageiro.

Disse ainda que se Tarrafal, em 1940, tinha diversas infra-estruturas desportivas, hoje também pode aproveitar disso, para potencializar este município, como um concelho de excelência a nível do desporto.

“A história do Tarrafal serve, de certa forma, para perspectivar a história de Cabo Verde e o desenvolvimento do país, pensando no Tarrafal”, advogou.

Com o passar dos tempos, Tarrafal perdeu algumas dessas infra-estruturas, como porto, cais e aeródromo e quartel militar, e, segundo este historiador, com essas perdas, Tarrafal estagnou-se.

“Quem tem olhos e sentimentos pode ver que se Tarrafal no século passado já tinha tudo isso (…), e hoje não tem, tira-se essa conclusão. Seguramente, que a culpa não deve morrer solteira e a culpa não é dos tarrafalenses, mas, deve ser dos outros parceiros que dirigiram o destino desse país, desta região e desta ilha”, sublinhou.

José Soares que debruçou sobre o tema “ Da origem do concelho à instalação do Campo de Concentração”, considerou ainda que história do Tarrafal deve ser contada e ensinada aos jovens não só em Cabo Verde como em Portugal, quando se fala de descobrimento e da instalação da prisão colonial.

Antigamente, muitas pessoas viam Tarrafal como sendo um inferno, porque é ali que se situa o ex-campo de morte lenta, entretanto, este historiador quer mudar esta ideia e levar os cabo-verdianos a entender que este município é o “melhor sitio, da maior ilha de Cabo Verde”.

“Salazar escolheu Tarrafal por ter condições para habitar e instalar os seus funcionários e dentro do Tarrafal ele construiu um inferno. Costumo dizer que se talvez essa prisão fosse construída em Belém de Portugal, Belém também seria o pior sítio da cidade de Portugal“, frisou.

No âmbito das comemorações do centenário do Tarrafal várias actividades estão sendo levadas a cabo, designadamente feira de jogos tradicionais, festival de batuque e finason, maratona desportiva, concurso de dança.

O ponto alto da celebração é no dia 25, com uma sessão solene, com homenagens aos centenários do município e culto de louvor e adoração e inauguração da Avenida principal.

AM/CP

Inforpress/Fim

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