Santa Cruz: Pescadores de Achada Ponta pedem apoio para aquisição de embarcações de grande porte

Pedra Badejo, 14 Abr (Inforpress)- Os pescadores da localidade de Achada Ponta, no município de Santa Cruz (ilha de Santiago), desanimados com ida ao mar sem conseguirem pescar um peixe, lançaram hoje um pedido de poio para aquisição de embarcações de maior porte, para que possam aventurar-se mais longe.

Hoje, em mais um dia de faina, a Inforpress encontrou, na praia de Achada Ponta, alguns pescadores que regressavam da pesca desanimados, por capturarem apenas quatro peixes, que, segundo dizem, é insuficiente para o consumo de uma família numerosa e nem dá para vender e obter rendimento.

Apesar do cansaço, o pescador Virgílio Varela parou para falar com a nossa reportagem sobre as dificuldades que tem enfrentado no mar no dia-a-dia.

Segundo esse pescador, diariamente fazem-se ao mar com botes de pequeno porte e sem motor, limitando-se assim a pescar apenas ao largo da costa, o que dificulta a captura de iscos e de peixes mais graúdos.

No local, também encontramos a peixeira Francisca Tavares, que aguardava ansiosa a chegada dos pescadores para comprar peixe que irá depois revender na cidade.

Francisca Tavares não ficou satisfeita com a compra, sendo que, segundo disse, foi preciso juntar o pescado de dois pescadores para poder ter “alguma coisa” para vender.

“Encontrei três moreias pequenas num pescador e duas noutro, isso não dá para grandes coisas. As coisas estão difícil para quem vive do mar, mas é a vida”, reclamou.

O vice-presidente da Associação dos Pescadores de Achada Ponte, Paulo Moreira, disse que alguns pescadores estão desmotivados com esta situação, porque com o peixe cada vez mais longe é difícil ir à faina, uma vez que nesta comunidade piscatória existem 23 botes, mas somente um é motorizado.

“Temos muitos botes de apenas dois metros de cumprimentos, que não podem ir mais longe, por questão de segurança. Só a remo, sem motor, a situação fica mais difícil. Temos botes que já não estão em condições de ir ao mar e os pescadores não têm condições de os reparar”, disse.

A Associação, ciente dessas dificuldades, tem feito esforços para conseguir financiamento para a aquisição de embarcações de grande porte, motorização dos botes, melhoria do caminho de acesso ao mar, construção de abrigo de motores e reabilitação do centro de pesca.

O centro de pesca, construída em 2000, conforme disse o responsável, nunca funcionou, visto que foi instalada apenas uma máquina de gelo no local, mas a ideia da associação é também equipa-la com uma máquina de câmara de frio.

Paulo Moreira espera contar com a parceria do Governo de Cabo Verde, da Câmara Municipal de Santa Cruz e de outros parceiros, para que juntos possam materializar esses desejos e ajudar essas famílias a terem mais rendimento.

Na comunidade piscatória de Achada Ponta existem 30 pescadores e 16 peixeiras.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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