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Santa Catarina: População de Chã reivindica salas de aulas na localidade e ameaça deixar as crianças fora do sistema

 

São Filipe, 05 Set (Inforpress) – A população residente em Chã das Caldeiras reivindica o funcionamento de salas de aulas a partir deste ano lectivo e ameaça deixar fora do sistema cerca de quatro dezenas de alunos que frequentam o Ensino Básico Integrado (EBI).

Depois do anúncio de que as crianças em idade escolar residentes na Caldeiras vão ter de deslocar-se às localidades de Cabeça Fundão e Achada Furna para frequentar as aulas no ano lectivo 2017/18, um grupo de pessoas, sobretudo mães, aproveitou, segunda-feira, a presença do edil de Santa Catarina e outras entidades para reclamar a abertura de salas de aulas, ameaçando que não vão deixar os seus filhos irem à escola se for em Cabeça Fundão e Achada Furna.

Isabel, uma das mães que deu voz a reclamação, exigindo que se crie as condições para que as crianças possam frequentar no local as aulas, disse à Inforpress que a população reclama escola porque não é humano levantar as crianças às 06:00 horas de manhã para deslocarem à Cabeça Fundão e para regressar depois das 14:00 horas.

Segundo a mesma as crianças vão chegar à escola cansadas porque a estrada não oferece grandes condições e regressam igualmente cansadas, com baixo aproveitamento escolar e até com falta de apetite.

“Já falamos com o presidente da Câmara, a vereadora (que é natural de Chã das Caldeiras) e com outras entidades e não temos nenhuma satisfação”, disse Isabel, que perante a situação quer saber “se as pessoas de Chã das Caldeiras são animais ou pessoas humanas como as demais e sem direito ou não a reivindicar”.

Isabel que é mãe de três filhos em idade escolar, disse que no ano lectivo passado o número de crianças que fazia o percurso era cerca de duas dezenas (18) mas que neste momento o número duplicou e ronda a 40 crianças em idade escolar e que residem na Caldeira.

“Queremos escolas, se não tiver escola em Chã das Caldeiras as crianças não vão frequentar escolas em Cabeça Fundão e Achada Furna e não vale a pena mandar Instituto, Policia Nacional ou outra entidade para nos obrigar. Temos direito”, disse

Presente no local, o edil de Santa Catarina do Fogo, Alberto Nunes, disse que a edilidade tem projecto e financiamento para construção de um jardim em Chã das Caldeiras, mas como há demora na produção do projecto no estilo que se pretende para esta localidade, a Câmara decidiu e optou para construção de estrutura de pré-fabricada para o infantário e as obras devem iniciar na próxima semana.

Quanto à escola do Ensino Básico Integrado (EBI) Nunes explicou que a edilidade já conversou com a população e os informou de que como está-se a proceder a remodelação da escola de Cabeça Fundão, por um lado, e por outro, como não há condições de construir salas de aulas em simultâneo em Chã das Caldeiras, as crianças vão arrancar ano lectivo em Cabeça Fundão e assim que for criado as condições os alunos regressam a Chã das Caldeiras.

Alberto Nunes disse que no ano passado a Câmara colaborou no transporte de alunos de Chã das Caldeiras, tendo contribuído com valor correspondente a seis meses de transporte, mais de 100 contos, e que o mesmo irá acontecer este ano com transporte das crianças de Chã das Caldeiras para Cabeça Fundão e Achada Furna e o seu regresso diário.

“A população de Chã tem de colaborar para buscar as soluções, na forma como actuam não é fácil de resolver os problemas”, afirma o edil, que apontou o caso de abastecimento de água e de saneamento em que se faz o transporte dos materiais para Achada Furna três vezes por semana, acrescentando que “temos que ser sério para poder desenvolver”.

Na presença das pessoas, o edil deixou claro que enquanto não há condições as crianças continuarão a deslocar a Cabeça Fundão e Achada Furna, porque a edilidade não pode resolver todos os problemas em simultâneo.

A ideia, segundo explicou, é que o jardim infantil a ser construído a base de pré-fabricado, tenha sala para o EBI e pediu paciência às pessoas porque não há condições para fazer tudo ao mesmo tempo, salientando que já se fez o edifício do Parque Natural que alberga a delegação municipal e posto de polícia, para resolver os problemas de Chã.

No final de semana passada em entrevista a Inforpress o delegado do Ministério da Educação em Santa Catarina do Fogo, Osvaldo Rodrigues, afirmou que está fora de questão a abertura de salas de aulas no interior da Caldeira e que sendo assim as crianças residentes em Chã das Caldeiras que frequentam primeiro ao quarto ano vão deslocar a Cabeça Fundão e os do quinto e sexto ano a Achada Furna.

O mesmo teria afirmado que o Ministério da Educação solicitara o número de crianças de Chã das Caldeiras que frequenta o ensino básico (1º ao 6º anos) para, em articulação com a Fundação Cabo-verdiana de Acção Social Escolar (FICASE) e a câmara municipal, poder garantir o transporte, estando a delegação do Ministério a trabalhar esses dados e a contabilizar os custos com transporte para que possa iniciar as aulas “sem constrangimentos de maior”.

JR

Inforpress/Fim

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