Santa Catarina: Crisálida Correia lança livro sobre ancestralidade e identidade cabo-verdiana

Assomada, 18 Jan (Inforpress) – A activista santa-catarinense Crisálida Correia apresenta hoje em Assomada, Santa Catarina (Santiago), o livro “Baskudja Identidade” (Vasculhar Identidade, em português), sobre a ancestralidade e identidade cabo-verdiana.

Em entrevista à Inforpress a propósito do lançamento do seu primeiro livro, que acontece hoje às 15:00, no Auditório da Universidade de Santiago, Maria “Crisálida Correia” explicou que a obra convida os cabo-verdianos a “vasculharem” e a tentarem saber de onde vieram e como estão.

Enquanto activista social, alertou que os cabo-verdianos estão a “desviar” de alguns valores que lhes emana enquanto povo, aliás, chamou atenção da perda de alguns como “djunta-mon” (juntar das mãos), de cuidar dos outros, da solidariedade e da generosidade com os outros, que defendeu precisa ser “mais cuidada” por ser a “essência da pessoa humana e do povo cabo-verdiano”.

“Cabo Verde não tem vizinho, está no meio do atlântico, e o seu povo ancorou no companheiro, e o outro sempre foi a nossa extensão, nosso irmão, nossa comunidade e nossa gente”, lembrou, notando que no livro debruça muito sobre o humanismo do cabo-verdiano.

O mesmo, segundo a jovem do Mato Gêgê dos Engenhos dá “pinceladas” no surgimento do cabo-verdiano, no entanto, aprofunda na ancestralidade cabo-verdiana, na sua essência enquanto pessoa, nas manifestações culturais mais antiga, mormente batuco e tabanca, no colonialismo, na luta pela dignidade, sobretudo as revoltas, a independência de Cabo Verde e a democracia.

Contrariamente aos ancestrais dos cabo-verdianos, que, notou, eram “homogéneos” e defendiam uns aos outros, Crisálida Correia é de opinião que hoje temos cabo-verdiano “a passar o outro perna”, por estar “mais sabido, estudado e na administração pública”.

Por tudo isso, acrescentou que o cabo-verdiano de hoje “não vê o outro como a sua extensão e que deve cuidar dele”, mas, sim por estar na “administração pública” preocupa apenas com a “retenção na fonte”.

“Isto não é ser cabo-verdiano, porque o cabo-verdiano na essência é para proteger, solidarizar com companheiro e se um está por baixo e sem tecto para ajudar o outro, e não pensar somente em si”, alertou, insistindo que muitos cabo-verdianos estão a deixar a irmandade de lado.

Na ocasião, a informou que a receita da venda do livro de 223 páginas e que faz um paralelo entre a língua cabo-verdiana (crioulo) e portuguesa vai reverter-se a favor da Fundação Aliança Solidária para promover pesquisas sobre ancestralidade cultural e identidade cabo-verdiana.

O livro, cujo lançamento enquadra-se no âmbito da XII Semana da República, promovida pela Presidência da República, terá como apresentadores a escritora Maria Augusta Évora, “Mana Guta”, e o professor Ricardo Fidalgo.

O lançamento terá próxima paragem Santa Cruz, em Fevereiro, e ao longo do ano outros municípios, sobretudo Praia e na Diáspora,

FM/CP

Inforpress/Fim

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