Ilha do Sal: Salimpa “divorcia-se” da câmara municipal e administrador “some” com documentações importantes

 

Espargos, 02 Ago. (Inforpress) – A actual presidente do conselho de administração da empresa mista de saneamento, Salimpa, no Sal, acusou hoje o administrador-delegado Rui Ramos de ter subtraído documentações “importantes” da empresa e peças de camiões, dificultando o processo de limpeza urbana.

Maria José Silva, que está à frente da Salimpa há cerca de quatro meses, explicou em declarações à imprensa que perante denúncia de que Rui Ramos retirara caixotes com documentos pertencentes à empresa, isto é, extractos bancários, contabilísticos, tudo que diz respeito à gestão… na qualidade de presidente de administração dirigiu-se aos escritórios tendo constatado a falta de “toda” a documentação da empresa.

“Tudo desapareceu. Nenhum tipo de documento. Nem em suporte papel nem em suporte digital”, esclareceu, acusando ainda Rui Ramos de ter despedido, verbalmente, os 63 trabalhadores da empresa de limpeza urbana, além de ter também neutralizado dois camiões de recolha de lixo, retirando peças fundamentais – centralinas.

“Inclusive, até o momento, nenhum dos funcionários recebeu salário. Esta é a situação actual. Também, foram retiradas as centralinas dos camiões, peças fundamentais, sem as quais será impossível prestar o serviço de recolha, neste momento paralisado”, lamentou Maria José Silva.

Quanto ao despedimento em massa dos trabalhadores, Maria José disse que a autarquia garante nova contratação dos mesmos por forma a assegurar, pelo menos, o serviço de saneamento.

A responsável segundo a qual o processo já está a decorrer judicialmente, disse que Rui Ramos encontra-se fora do país, provavelmente em Portugal, sem ter dado cavaco algum.

Este “divórcio” entre a Salimpa e a Câmara Municipal do Sal – accionista maioritária, que desde esta terça-feira reassume o serviço de saneamento na ilha turística -, já era anunciado há algum tempo, dada à guerra instalada através de acusações de incumprimento e irregularidades de parte a parte.

Admitindo que a Salimpa está de mãos atadas, numa  “situação delicada”, a mesma fonte afiança, porém, que apesar das actuais dificuldades é “urgente” debelar o problema, de alguma forma, já que está-se a falar de lixo.

“Na verdade estamos limitados, não temos camiões… mas há urgente necessidade de se dar resposta ao problema, porque estamos a falar de lixo, e isso tem a ver com a saúde pública. Daí que estamos a tentar reparar, o mais depressa possível, os camiões cujas peças foram propositadamente retiradas pelo senhor Rui, atitude confirmada pelos funcionários”, reiterou.

Neste momento a Salimpa dispõe de quatro viaturas de recolha de lixo, porém, apenas uma está operacional para dar cobertura a toda a ilha, prevendo-se, entretanto, a partir desta quinta-feira, a operacionalidade de mais outro camião

Confrontado com a situação, e questionado sobre os meios e capacidade da câmara para dar resposta às demandas, o edil salense, Júlio Lopes escusou-se a pronunciar sobre a matéria, por agora.

SC/ZS

Inforpress/Fim

 

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