Ruanda denuncia “provocação” da RDCongo com entrada de avião militar no seu espaço aéreo

Kigali, 07 Nov (Inforpress) – O Ruanda acusou hoje a República Democrática do Congo (RDCongo) de “provocação” devido à entrada de um avião militar no espaço aéreo ruandês, em pleno clima de tensões bilaterais relativamente às actividades do grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23).

“Um caça Sukhoi-25 violou o espaço aéreo ruandês às 11:20 (09:20 em Lisboa) e pousou brevemente no aeroporto de Rubavu, na província ocidental”, disse o governo ruandês num curto comunicado.

Rubavu localiza-se junto à fronteira entre os dois países.

No comunicado, sinaliza-se que Ruanda “não adoptou medidas militares de resposta” e acrescenta-se que o avião “regressou à RDCongo”.

“As autoridades ruandesas protestaram contra esta provocação ao governo da RDCongo, que reconheceu o incidente”, destaca-se na nota.

O incidente ocorreu dois dias depois de Kinshasa e Kigali terem concordado em acelerar ao máximo o acordo para aliviar a tensão bilateral em torno da actividade do M23 no nordeste da RDCongo, face às acusações de Kinshasa contra o apoio de Kigali aos rebeldes.

No passado sábado, os ministros dos Negócios Estrangeiros do Ruanda e da RDCongo) comprometeram-se a manter o diálogo e concertação política como via de resolução da crise política entre os dois países.

Este foi um dos pontos do comunicado final sobre a reunião tripartida entre a diplomacia do Ruanda e RDCongo e Angola, realizada em Luanda.

O objectivo foi relançar o diálogo entre os dois países face ao agravamento da tensão nas últimas semanas, com os rebeldes do M23, que passou a controlar várias localidades, obrigando ao êxodo de mais de 200 mil pessoas.

No final da reunião, os ministros acordaram também a definição de um cronograma para acelerar a implementação do roteiro de Luanda, de 06 de Julho de 2022, que visa estabelecer o caminho para a paz e o desdobramento imediato do mecanismo de verificação ‘ad-hoc’ em Goma (RDCongo).

O Ruanda tem reiteradamente negado as acusações e acusa, por sua vez, a RDCongo de apoio outro movimento rebelde, as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR), numa crise alimentada pelo avanço consolidado do M23 nalgumas áreas da província Kivu do Norte, que culminou na semana passou com a expulsão do embaixador ruandês em Kinshasa, Vincent Karenga.

O M23 é acusado desde Novembro de 2021 de realizar ataques contra posições do Exército da RDCongo em Kivu do Norte, sete anos depois de as duas partes terem alcançado uma trégua.

Especialistas das Nações Unidas acusaram Uganda e Ruanda de apoiar os rebeldes, embora ambos os países tenham negado isso.

Inforpress/Lusa/Fim

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