Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Romance “O Plantador de Abóboras” do timorense Luís Cardoso vence prémio Oceanos 2021

São Paulo, 09 Dez (Inforpress) – O romance “O Plantador de Abóboras” do escritor timorense Luís Cardoso, publicado em Portugal pela editora Abismo, venceu o Prémio Oceanos 2021, organizado no Brasil e que destaca anualmente as melhores obras publicadas em língua portuguesa.

É a primeira vez que um autor de Timor-Leste vence o prémio.

A escolha foi anunciada numa cerimónia virtual pelo autor brasileiro Itamar Vieira Junior, que fez parte do júri que escolheu os três vencedores deste ano. 

“Este é um romance em que deixa muitas impressões em seus leitores. A primeira impressão está no poder da linguagem, e de nos lembrar que a língua portuguesa permanece viva e que ela ganhou densidade e profundidade em cada fracção de terra onde é falada”, explicou Vieira Júnior.

Num vídeo exibido durante a divulgação da premiação, o escritor Luís Cardoso explicou que vive em Portugal, que nunca mais regressou ao seu país, mas contou que visitou Timor-Leste em 2001 com José Saramago e, enquanto estava lá, visitou um local que conhecia, que estava em ruínas por causa da crise que assolou o país, e lá conheceu uma mulher que inspirou o romance.

“Enquanto estava lá passou junto de mim uma senhora que começou a falar da história de Timor, e que começou a contar sua própria história (…) Ela estava ali para falar com as montanhas, foi para ali contar uma história para as montanhas, mas, ao mesmo tempo, fui-me apercebendo que a história que ela estava a contar não era para as montanhas, mas era para mim”, explicou Cardoso.

“Ela estava a contar 100 anos da história do Timor-Leste, três guerras sucessivas e, desde aquele dia, pus na minha cabeça que um dia havia de contar esta história num romance com uma voz feminina”, acrescentou o vencedor do Oceanos 2021.

Cardoso também explicou que o romance “O Plantador de Abóboras” traz esta voz feminina, de uma mulher que recebe o noivo que não vê durante 24 anos, durante a ocupação indonésia no Timor, e depois regressa. 

Segundo o vencedor do Oceanos 2021, as abóboras mencionadas no título e no romance funcionam uma metáfora sobre Timor-Leste, que ainda se sustenta da exploração de petróleo, mas precisa voltar a produzir e a plantar uma alternativa de riqueza sustentável.

O segundo lugar do Oceanos ficou com o romance “O Ausente”, do escritor e professor brasileiro Edmilson de Almeida Ferreira.

“De acordo com o júri final do prémio Oceanos, este é um livro que rompe as fronteiras entre a prosa e a poesia, resultado de um grande trabalho com a linguagem e com a inúmera possibilidade de subvertê-la”, destacou Manuel da Costa Pinto, jornalista e curador do prémio Oceanos.

O terceiro lugar ficou com o romance “O osso do meio” do autor português Gonçalo M. Tavares, que já havia vencido o prémio em duas ocasiões, em 2007, com o romance “Jerusalém” e, em 2011, com “Uma viagem à Índia”.

Falando sobre “O osso do meio”, a crítica literária e jornalista portuguesa Isabel Lucas explicou que a romance traz um texto duro, de muita contenção.  

“É um romance em que a partir da margem, do terror, põe o leitor numa posição de fragilidade mostrando um lado divergente daquilo que entendemos como humano”, destacou.

Já Gonçalo M. Tavares explicou também num vídeo exibido durante a divulgação dos vencedores do prémio que “O osso do meio” é um “livro sobre a questão da ressaca individual que fica sempre depois dos grandes acontecimentos violentos.”

O Oceanos tem coordenação geral da gestora cultural Selma Caetano, curadoria para os países africanos de língua portuguesa de Matilde Santos, curadora da Biblioteca Nacional de Cabo Verde; Manuel da Costa Pinto, para o Brasil, e de Isabel Lucas, para Portugal.

Na primeira etapa, um júri inicial, composto por 95 professores de literatura, críticos literários, escritores e poetas, leu e avaliou os 1.835 livros inscritos, publicados em dez países, para escolher os semifinalistas. Desse conjunto de 54 livros foram escolhidos os dez finalistas.

Participam no júri final a angolana Ana Paula Tavares, os brasileiros Itamar Vieira Junior, Julián Fuks, Maria Esther Maciel e Veronica Stigger, e os portugueses António Guerreiro e Golgona Anghel.

O valor total do prémio é de 250 mil reais (39,5 mil euros), sendo 120 mil reais (19 mil euros) para o primeiro colocado, 80 mil reais (12,6 mil euros) para o segundo e 50 mil reais (7,9 mil euros) para o terceiro.

O Oceanos conta com apoio da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo do Brasil, do Banco Itaú, do Instituto Cultural Vale, da Direcção-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas de Portugal, do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, bem como com apoio institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para além do apoio e governança do Itaú Cultural.

Inforpress/Lusa

Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos