Ribeira Grande: Paciente acusa delegacia de saúde de emitir relatório psiquiátrico sem o ter avaliado

Ribeira Grande, 09 Nov (Inforpress) — O paciente Manuel Santos acusa a Delegacia de Saúde da Ribeira Grande de emitir um relatório psiquiátrico, sem o ter avaliado, alegando que a delegada agiu assim com base em uma denúncia que ele fez contra o seu “suposto” pai.

À Inforpress, Manuel Santos contou que em Outubro de 2019, procurou a direcção clínica do Hospital Regional João Morais (HRJM) para pedir um relatório psiquiátrico do seu “interesse” pessoal cuja finalidade era dar entrada num processo na justiça contra o seu “suposto” pai.

Mas, tal não foi possível porque “desentendeu-se” com o corpo clínico da psiquiatria do HRJM e não tomou o seu relatório.

Entretanto, em Maio de 2020, soube através de um técnico de saúde que poderia pedir um relatório psiquiátrico através da Delegacia de Saúde da Ribeira Grande para poder dar entrada no processo contra o seu “suposto” pai.

É que, segundo o mesmo, o seu “suposto” pai espancou um doente metal e usou um veneno “perigoso” para via pública, estricnina.

A mesma fonte frisou que ao procurar a delegacia ele fez todos os “procedimentos” pedidos para a emissão do documento.

Contudo, Manuel Santos acentuou que ficou “surpreso” porque a delegada emitiu o relatório psiquiátrico sem nunca o ter avaliado.

“Fui simplesmente informado que o meu relatório já estava na posse do Ministério Público. Como podem emitir um documento sem nunca me terem avaliado naquela delegacia de saúde” interrogou.

Com isso, Manuel Santos afiançou que procurou o Ministério Público para denunciar o que, no seu entendimento, trata-se de uma “irregularidade” praticada pela instituição de saúde.

“Espero que o procurador aja porque sei o porquê dessa ocultação de tudo, quer da delegada, da psicóloga. Por isso, apelar à Procuradoria da República para investigar o espancamento e uso de estricnina e o relatório psiquiátrico que sou esquizofrénico sem me ter feito uma avaliação na Delegacia de Saúde da Ribeira Grande” lançou o repto.

Por sua vez, a delegada de saúde da Ribeira Grande, Florentina Lima e Lima, pontuou que não é “segredo” para ninguém as acusações do paciente Manuel Santos.

Inclusive, segundo a médica, Manuel Santos já fez manifestações acusando a Delegacia de Saúde da Ribeira Grande.

Florentina Lima enfatizou que todos os cidadãos têm direito de procurar os serviços de saúde e “reclamar” quando não for dado o devido atendimento. 

Porém, segundo a mesma, a situação da patologia de base do paciente Manuel Santos foi passado por um especialista, ou seja, um psiquiatra.

“Quando um especialista atesta que um paciente tem determinada doença e até eu como médica não especialista na área, mas durante os estudos passei por esta especialidade e vi determinadas atitudes e comportamento do paciente e, é óbvio que não questiono o relatório do meu colega” explicou.

A delegada de saúde da Ribeira Grande disse ainda que “a maioria das pessoas com problemas de saúde mental não aceita os seus diagnósticos. 

“O Manuel sempre teve atendimento, seguimento no HRJM. Teve problema com vários médicos daquela unidade e depois veio à delegacia, pelo facto de querer incriminar um familiar que, segundo ele, estava a colocar estricnina em via pública” acentuou.

Ao falar com Manuel Santos, Florentina Lima disse que ele deveria contactar a esquadra policial e lá eles entrariam em contacto com a delegacia e constatar “in loco” se havia ou não determinada substância que prejudica a saúde pública. 

“Na delegacia não resolvemos questão de laços familiares, paternidade isso não tratamos, quanto ao diagnóstico, na qualidade de médica e delegada de saúde, por uma questão ética e profissional não tenho que questionar o diagnóstico do psiquiatra, agora podemos falar e trocar ideia. Ao paciente, ele pode pedir outra opinião”, finalizou.

LFS/ZS

Inforpess/Fim

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