RETROSPECTIVA/Transportes: Renacionalização da TACV saída da Binter e chegada de Dona Tututa marcaram 2021

Cidade da Praia, 27 Dez (Inforprs) – A renacionalização da TACV, o arresto da aeronave da Loftleidir, a saída da Binter e a entrada da Bestfly e a chegada do navio Dona Tututa são os principais assuntos que marcaram o sector dos transportes em 2021.

Em Fevereiro deste ano o Governo cabo-verdiano anunciava um acordo com a administração da companhia, liderada pela Loftleidir, para a retoma das operações, depois das mesmas terem sido suspensas em Março de 2020, devido à covid-19.

Na sequência desse entendimento, o Governo cabo-verdiano autorizou a 06 de Março o quinto aval do Estado a um pedido de empréstimo de emergência da administração da Cabo Verde Airlines (CVA), de 12 milhões de euros.

A administração da companhia, por seu turno, anunciou a retoma dos voos no dia 18 de Junho, com uma ligação entre o Sal e Lisboa, que entretanto não aconteceu, supostamente devido à falta de autorização da empresa ASA, que gere o espaço aéreo e os aeroportos.

No dia 20 de Junho o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, anunciou a decisão do Governo de reverter a privatização dos 51% do capital da CVA que estavam na posse dos investidores irlandeses.

E no dia 22 a porta voz do Conselho de Ministros anunciava a decisão do Governo de reversão parcial da privatização, que correspondia aos 51% do capital vendido à Loftleidir, como forma de assegurar “com a máxima urgência” a retoma normal das actividades de transporte aéreo internacional de passageiros e cargas da companhia aérea de bandeira.

Paralelamente o Estado cabo-verdiano avançou com um pedido de arresto do Boeing 757-200 da Loftleidir, alugado pela CVA, por alegadas dívidas da companhia.

Uma decisão que, segundo o presidente do conselho de administração da CVA, na altura, Erlendur Svavarsson, acabou por não só impedir a operação como obrigou o proprietário da aeronave a exigir o cancelamento da matrícula da aeronave no registo cabo-verdiano.

O Estado cabo-verdiano assumiu a 06 de Julho a posição de 51% TACV detida desde 2019 por investidores islandeses, liderados pela Loftleidir Cabo Verde (grupo Icelandair), alegando vários incumprimentos na gestão e dissolvendo de imediato os corpos sociais.

Em Agosto, já com o Estado de Cabo Verde enquanto accionista maioritário, é nomeado novo conselho de administração, presidido por Sara Pires, que tem como incumbência, no prazo de seis meses, colocar a companhia a voar.

E no dia 20 Dezembro é anunciado, oficialmente, a retoma dos voos internacionais a partir de 27 de Dezembro, ligando Praia a Lisboa, com duas frequências semanais às segundas e sextas feiras.

Entretanto, a Loftleidir Cabo Verde, que contesta a decisão do Governo de nacionalizar as suas acções na TACV, anunciou em Novembro, através de um comunicado, o início de um processo arbitral contra o Estado cabo-verdiano a decorrer no Tribunal Arbitral Internacional de Paris, “por forma a fazer valer os seus direitos no caso dos TACV.

Para além do caso da TACV o sector dos transportes ficou marcado pela retirada da Binter Cabo Verde do mercado interilhas e a entrada da BestFly Angola, na sequência de um contrato emergencial com o Estado de Cabo Verde.

No mês de Maio de 2021, após um diferendo com as autoridades cabo-verdianas, nomeadamente sobre apoios à companhia devido à pandemia de covid-19, os Transportes Interilhas de Cabo Verde (TICV), liderados pela Binter, deixaram de vender bilhetes e de realizar voos comerciais.

E para fazer face às ausências dos voos de ligação entre as ilhas o Governo celebrou um acordo de concessão emergencial com a empresa BestFly Angola.

E no início de Julho a companhia aérea espanhola Binter acordou a venda de 70% da TICV à BestFly, ficando os restantes 30% com o Governo cabo-verdiano.

Outro facto que marcou o sector dos transportes, agora a nível marítimo, tem que ver com a chegada do novo navio da Cabo Verde Interilhas em finais de Junho. “Dona Tututa” homenageia a pianista e compositora Epifânia de Freitas Silva Ramos Évora, conhecida por Dona Tututa da ilha do Sal.

Com capacidade para 220 passageiros, 43 viaturas ou 11 atrelados de 15 metros o navio começou a operar a 01 de Julho, juntando-se a outros três barcos que fazem as ligações inter-ilhas, designadamente Chiquinho BL, que faz a rota São Vicente Santo Antão e vice versa e Liberdadi, Interilhas que fazem as ligações para as outras ilhas.

A Cabo Verde Interilhas, concessionária dos transportes marítimos em Cabo Verde, mereceu algumas críticas em alguns momentos do ano, devido às irregularidades nas viagens, muitas vezes motivadas por avarias e manutenção das embarcações.  Comerciantes e populares das ilhas do Fogo, Brava e Maio queixaram algumas vezes de falta de produtos nas respectivas ilhas e prejuízos “avultados” por conta da danificação dos produtos que comercializam.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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