RETROSPECTIVA/São Vicente: Caso Amadeu Oliveira e desencontros na câmara municipal marcam o ano de 2021

Mindelo, 25 Dez (Inforpress) – O caso do advogado e deputado Amadeu Oliveira que ajudou o seu cliente a fugir de prisão domiciliária e ainda conflitos entre vereadores e o presidente da Câmara Municipal de São Vicente agitaram o ano no Mindelo.

A meio do ano, mais precisamente a 27 de Junho, todos os holofotes voltaram-se para o advogado Amadeu Oliveira, que declarou ter arquitectado, juntamente com antigos militares, a fuga do seu cliente Arlindo Teixeira, detido em prisão domiciliária, em São Vicente.

Arlindo Teixeira, que é constituinte do advogado e deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), num processo que este considerou ser “fraudulento”, “manipulado” e com “falsificação de provas”, saiu do país a partir de São Vicente num voo da TAP com destino a Lisboa, tendo depois seguido para França.

Amadeu Oliveira, que acompanhou o cliente em toda essa trajectória, regressou depois para Cabo Verde, onde, além de responder pelo crime de auxílio à fuga, também era acusado de 14 crimes de ofensas a juízes do Supremo Tribunal de Justiça e acabou por ser detido a 18 de Julho, no Aeroporto Internacional Cesária Évora, em São Vicente, em cumprimento de um mandado de detenção emitido pela Procuradoria do Círculo de Barlavento e após a Assembleia Nacional ter autorizado o levantamento da sua imunidade parlamentar.

A 20 de Julho, o “polémico” advogado teve prisão preventiva decretada pelo Tribunal da Relação de Barlavento e, até agora, está preso na Cadeia Cívil de Ribeirinha, no Mindelo, apesar de várias vozes contra, inclusive do Movimento Cívico Sokols 2017, que organizou a 25 de Setembro uma manifestação a favor da justiça e da libertação de Amadeu Oliveira.

Entretanto, uma iniciativa que o presidente dos Sokols, Salvador Mascarenhas, admitiu ter ficado “aquém das expectativas” em termos de participação e que o levou a repensar a sua actuação como “activista político”.

O ano que ora finda ficou ainda marcado na política pelos conflitos entre vereadores da UCID e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e o presidente Augusto Neves, na Câmara Municipal de São Vicente.

Os desentendimentos, que iniciaram em finais de 2020, aqueceram-se em Abril, quando cinco vereadores eleitos nas listas da UCID e do PAICV, dos nove que compõe o colégio camarário, decidiram retirar a confiança política ao presidente e ameaçaram com ‘impeachment’, destituição e perda de mandato.

Os ânimos foram ao rubro com acusações de parte a parte e ainda se acenou a possibilidade de eleições intercalares. Mas, tudo acabou por serenar-se nas vésperas das eleições legislativas e com a intervenção da Assembleia Municipal, Augusto Neves decidiu distribuir alguns dos pelouros pelos vereadores dos dois partidos da oposição.

Ainda na política, mas transpassando também a cultura, São Vicente lamentou também, a 29 de Abril, a morte de Onésimo Silveira, primeiro presidente da câmara municipal, em democracia, vítima de doença prolongada.

Onésimo Silveira, fundou o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS), depois da ruptura com o Partido Africano da Independência de Cabo Verde e Guiné Bissau (ex-PAIGC) e, nos últimos anos, tornou-se numa das vozes mais activas pela regionalização do país.

Este, para além do seu longo percurso como diplomata e ainda como embaixador de Cabo Verde em Portugal, também deu o seu contributo para a literatura cabo-verdiana com várias obras publicadas.

A área da cultura, em São Vicente, ficou ainda marcada com as mortes em 2021 da activista e promotora cultural Samira Pereira, do promotor Hernâni Moreira e da cantora Dulce Matias.

LN/CP

Inforpress/Fim

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